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Sergipe: A Família Franco e seu Legado de Influência, os Verdadeiros Rockefellers do Estado

Sergipe: A Família Franco e seu Legado de Influência, os Verdadeiros Rockefellers do Estado

28 de abril de 2026

Autores:

Guilherme Silva


Os "Rockefellers de Sergipe": O Poder e as Controvérsias da Família Franco

Em uma análise intrigante sobre a influência da família Franco em Sergipe, Igor Salmeron, doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), caracteriza o clã como os "Rockefellers de Sergipe". Salmeron, biógrafo de Walter Franco — um dos membros proeminentes do clã e atual presidente da TV Atalaia, afiliada da Record — revela a longa trajetória do poder dessa família no cenário político e econômico do estado, que remonta ao século XVIII.

Historicamente, os Franco se destacaram como uma das "grandes famílias" de Sergipe, que, mesmo em uma fase de redução de poder, ainda influenciam o destino político estadual. A acumulação de riqueza pelo clã começou com a exploração de mão de obra afro-indígena nas plantações de cana-de-açúcar, um legado que permanece controverso. Bruno Vieira, mestre em Geografia, apresentou, em sua dissertação, dados que apontam para um crescimento significativo da fortuna da família a partir da década de 1930, impulsionado por políticas públicas como o Instituto do Açúcar e Álcool (IAA) e o Proálcool. Ele argumenta que, embora essas iniciativas visassem fortalecer a autonomia industrial do Brasil, acabaram favorecendo a concentração de terras e riqueza nas mãos de poucas famílias, entre elas os Franco.

Em suas investigações, Vieira identificou 3.970 hectares em nome da Usina São José do Pinheiro, a principal propriedade da família, que gera não apenas açúcar e álcool, mas também energia elétrica. O pesquisador destaca a precariedade das condições de trabalho, incluindo relatos de cortes de cana que expõem trabalhadores a situações insalubres e sem contrato formal, refletindo condições que remetem a práticas de séculos passados.

A busca por respostas junto aos Franco rendeu silêncio, assim como junto ao Ministério Público do Trabalho, que não se manifestou sobre eventuais processos contra a usina ou outras empresas do clã. Ao mesmo tempo, o legado da família Franco vai além do açúcar e álcool: sua atuação se estende ao setor têxtil, a um shopping e a várias emissoras de comunicação, cujas concessões foram obtidas durante a ditadura militar.

A adaptabilidade política da família Franco é notável. Desde a abertura do regime militar na década de 1980, eles mudaram seu discurso e se reconfiguraram para defender a constituinte, buscando reescrever sua imagem pública. No entanto, a continuidade de sua fortuna pode ser observada nas isenções fiscais e subsídios que receberam do Estado nos últimos anos, que totalizam milhões em renúncias de impostos.

Ainda que atravessem gerações de influência, a família Franco enfrenta críticas em relação a suas práticas de negócios e às condições de trabalho em suas propriedades. O que será do poder econômico e político da família Franco em Sergipe, à luz de um estado em busca de justiça social e de melhores condições de trabalho? O futuro dirá.



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