Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor índice em 40 anos, aponta relatório da SOS Mata Atlântica
O desmatamento na Mata Atlântica alcançou seu nível mais baixo em quatro décadas, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, que realizou o monitoramento em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O documento revela uma redução de 40% na área de florestas maduras suprimidas, que caiu de 14.366 para 8.668 hectares. Este marco histórico é significativo, pois pela primeira vez em 40 anos de monitoramento contínuo, a devastação anual ficou abaixo da marca de 10 mil hectares.
A queda no desmatamento foi impulsionada por uma maior pressão pública e mobilização social, além de políticas ambientais mais rigorosas e ações de fiscalização que incluem embargos remotos e restrições de crédito em áreas desmatadas ilegalmente. Embora tenha havido reduções em 11 dos 17 estados que compõem o bioma, a Bahia e o Piauí continuam como os maiores responsáveis pela perda florestal, combinando-se com Minas Gerais e Mato Grosso do Sul para representar 89% da área desmatada.
A vasta maioria da área desmatada (96%) foi destinada à agropecuária, muitas vezes com indícios de ilegalidade. Apesar do avanço observado, o relatório alerta que qualquer fragmento de floresta perdido representa um retrocesso significativo. Com apenas 12,4% da cobertura original ainda composta por florestas maduras, o caminho para um desmatamento zero está ameaçado por propostas legislativas que podem enfraquecer os mecanismos de controle ambiental e permitir a supressão de vegetação primária sem a devida estrutura técnica.
Além disso, o Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF) reportou que 2025 apresentará um dos menores volumes de área queimada em unidades de conservação, totalizando 434.392 hectares. Esse número, embora positivo, requer vigilância contínua e ação proativa para garantir a sobrevivência de um dos biomas mais ricos do planeta.
Com o futuro da Mata Atlântica em jogo, as políticas públicas e a consciência ambiental coletiva se mostram mais essenciais do que nunca. O relatório é um sinal de progresso, mas também um chamado à ação para proteger e restaurar este patrimônio inestimável.
