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Estudantes da USP Desenvolvem Materiais Paradidáticos para Abordar o Racismo Ambiental

Estudantes da USP Desenvolvem Materiais Paradidáticos para Abordar o Racismo Ambiental

14 de abril de 2025

Autores:

Redação


Professores da Rede Municipal de São Paulo Avaliam Jogos Criados por Alunos da Licenciatura em Educomunicação

Na vanguarda da educação para a sustentabilidade, um grupo de docentes da rede pública de ensino de São Paulo participou de uma experiência inovadora: o teste de jogos educacionais desenvolvidos por estudantes da Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa ocorreu durante um curso promovido pelo Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, focado na justiça climática.

Entre os materiais avaliados, destacou-se um jogo de cartas denominado "Perguntado Socioambiental", que possui 30 cartas, cada uma apresentando uma situação vinculada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e quatro possíveis respostas. Segundo Heulieda Cristovão de Macedo, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ruy Barbosa, o jogo não só é divertido, mas também serve como um excelente ponto de partida para discussões e atividades pedagógicas nas escolas.

Heulieda integrou o curso de extensão "Educomunicação socioambiental: precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas", que faz parte do projeto de pesquisa Educom & Clima. Os alunos da disciplina optativa Educomunicação Socioambiental foram incentivados a criar materiais digitais e multimídia que abordassem o racismo ambiental, promovendo a consciência crítica entre os estudantes.

Marcelo Augusto Pereira dos Santos, professor da Emef Dilermando Dias dos Santos, testou outro jogo, "Salve-se Quem Conseguir". Ele destacou a natureza colaborativa do jogo, onde a solução para os problemas enfrentados por cada comunidade depende da cooperação mútua entre os jogadores.

Materiais e Futuras Aplicações

Os docentes que testaram os materiais também recomendaram adaptações e melhorias. Aurilene Matias Luz, professora da Emef Eliane Benute Lessa Ayres Goncalves, notou que, embora algumas palavras exigissem um glossário, os jogos poderiam servir para gerar discussões significativas em sala de aula. As ambiguidades encontradas na jogabilidade foram vistas como oportunidades para fomentar o debate entre os alunos.

A disciplina optativa, que será oferecida novamente no segundo semestre para estudantes de diferentes cursos da USP, possui o objetivo de contribuir para uma sociedade mais informada e colaborativa, combatendo as desigualdades sociais e o negacionismo climático. Thaís Brianezi, responsável pela disciplina, ressaltou a evolução do curso, que em 2023 gerou materiais sobre a Agenda Municipal 2030 de São Paulo, agora integrados a uma versão online, disponibilizada gratuitamente para escolas via o Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC (Avamec).

Compreendendo Racismo e Justiça Climática

O trabalho dos alunos não só reflete a produção de conhecimentos essenciais para a educação básica, mas também traz à tona questões urgentes como racismo ambiental e justiça climática. O racismo ambiental revela como a população mais vulnerável, composta em grande parte por negras e indígenas, sofre desproporcionalmente com as consequências das crises ambientais. Já a justiça climática é entendida como a luta contra a exposição desigual ao perigo, um desafio que se entrelaça com a questão racial e requer ações coletivas.

Com estes esforços, a educação se mostra como um pilar fundamental para a construção de um futuro mais equitativo e sustentável, onde a conscientização em torno das intersecções entre racismo e meio ambiente se torna cada vez mais relevante no contexto educativo.

Texto adaptado de matéria originalmente publicada no site da ECA.



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