Ir para o conteúdo

Dilma deve buscar STF para que decisão de Maranhão seja respeitada, diz Flávio Dino

Dilma deve buscar STF para que decisão de Maranhão seja respeitada, diz Flávio Dino

10 de maio de 2016

Autores:

Ultima palavra

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil (Aquivo)
Flávio Dino, governador do Maranhão. (Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil (Aquivo)


Flavio Dino, governador do Maranhão pelo PC do B e aliado da presidenta Dilma Rousseff, recebeu neste sábado o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão. O assunto que os aliados trataram cairia como uma bomba na agenda política nesta segunda-feira com a anulação do processo de abertura de impeachment, aprovado por 367 deputados no dia 17 de abril. O Senado, no entanto, resolveu ignorar Maranhão e seguir o trâmite da destituição.

Dino, ex-juiz federal e ex-professor de direito constitucional, declara-se indignado com a possível destituição da presidenta “após décadas para atingir certo patamar de respeito ao jogo político”. Para ele, a questão central para justificar a anulação é que “em um processo de impeachment os parlamentares são julgadores e têm que votar com a sua consciência, o partido não pode impor seu voto. Tem que ter regras, e não podem ser desrespeitadas”. “O próprio Maranhão é um dos exemplo que ilustra por que o processo está errado”, afirma Dino. O substituto de Eduardo Cunha foi punido pelo seu partido, o PP, por votar contra o impeachment e foi destituído do comando do diretório estadual da sigla no Maranhão. O governador aposta na intervenção do Supremo para resolver o embate entre as duas Casas.

Pergunta. Qual foi seu papel na decisão de suspender o processo de impeachment tomada por Waldir Maranhão?

Resposta. Ele é presidente da Câmara, é do meu Estado e é meu aliado político. Ele tinha nas mãos um recurso da Advocacia Geral da União (AGU) sobre o processo e tinha um oficio do Senado perguntando qual era sua posição sobre esse recurso. Ele me perguntou minha opinião e minha sugestão foi que ele devia aceitá-lo. O recurso demonstra que houve erros e irregularidades no rito na Câmara e eu sugeri que o colhesse e foi isso que aconteceu. Tenho muita convicção jurídica de que o recurso é procedente.

P. Se o Senado questionou Maranhão sobre seu posicionamento diante o recurso da AGU, por que Renan Calheiros definiu de “intempestiva” a decisão?

R. É uma bela pergunta para fazer a ele. Porque se o Senado pediu o parecer do presidente da Câmara é porque reconhece que o processo de impeachment ainda está em andamento. O presidente da Câmara tomou essa decisão atendendo a provocação do Senado. A nulidade do processo pode, sim, ser arguida enquanto o processo está em andamento. A medida seria intempestiva se tivesse sido proposta hoje, mas o recurso foi proposto muitas semanas atrás, o que houve foi uma demora da Câmara a responder. A parte interessada, a presidenta da República, entrou com recurso no momento certo.

P. Por que o questionamento agora do processo se o Supremo não se opôs anteriormente ao rito?

R. O Supremo fixou o rito prévio, atendendo a um pedido do PSDB, mas os questionamentos sobre o seu cumprimento não foram ainda levados ao Supremo. Serão levadas agora. A AGU questionou primeiro a Câmara e o Senado para depois levar para o Supremo.

P. Qual vai ser o movimento do Governo, uma vez que o Senado ignorou a decisão de Maranhão? A suspensão vai ter algum efeito prático?

R. A decisão do Maranhão permanece válida, não foi revogada por ninguém (a entrevista aconteceu antes do próprio Maranhão recuar). A presidenta da República e os senadores devem buscar o Supremo ou inclusive Cortes Internacionais para que a decisão de Maranhão seja respeitada. O que está acontecendo no Brasil é muito grave, é uma tragédia. Fiquei espantado de ver a Calheiros falando em brincadeira. Me recuso a chamar de brincadeira algo tão importante para o país que é o respeito ao nosso sistema de Governo. Se formou uma maioria de parlamentares que quer derrubar a presidenta da República, isso é ridículo, é uma vergonha.

P. Essa seria mais uma vez em que o Supremo terá que interferir na agenda política brasileira. Você acha isso certo?

R. Esta é uma crise política que resulta na incapacidade de os próprios políticos resolverem os temas políticos, um problema que vem se aprofundando no Brasil nos últimos anos. É justamente isso o que está atrás deste processo. Quando você tem uma impossibilidade de a política funcionar, vai ter outras instituições ocupando esse espaço. E nos próximos dias devemos esperar ainda mais presença do judiciário na vida política, a partir do momento em que for aberto o processo no Senado e o presidente do Supremo assuma a presidência da Casa. E minha pergunta é: o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, vai comandar um processo que o presidente da Câmara dos Deputados não autorizou?

P. Se a suspensão fosse mantida, como seria possível lidar com a reversão do impeachment diante da impopularidade da presidenta?

R. A impopularidade, como as pesquisas mostram, vem diminuindo. Progressivamente há mais gente contra o impeachment do que havia três meses atrás e é difícil imaginar que um Governo de [Michel] Temer vai ser mais popular que o de Dilma. A questão central não se resume a popularidade, a questão é se um governo ilegítimo terá condições de reunir o país como é necessário. Eu acredito que é melhor um Governo com dificuldade do que um suposto novo Governo ilegítimo. Se alguém tem capacidade e legitimidade de acabar com a paralisia, é o atual Governo.

Compartilhe:

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emlinkedin

Mais lidas