Brasil se Prepara para Acontecimentos Cruciais em 2025: Uma Análise da Geopolítica e Integração Regional
O Brasil está se preparando para assumir um papel de destaque em 2025, ano em que sediará eventos internacionais de grande relevância. Além de presidir o Brics+ e o Mercosul, o país se tornará o palco da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá em Belém, no Pará.
A situação geopolítica atual complica a estratégia de política externa brasileira. Conflitos persistentes na Eurásia e no Oriente Médio, junto com as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, exigem um cuidado especial na condução das relações brasileiras em um contexto global repleto de incertezas.
Em um movimento para diversificar a agenda econômica e revitalizar a integração regional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou recentemente da 9ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Tegucigalpa, Honduras. Segundo Gisela Padovan, embaixadora e secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, esta cúpula é fundamental para rearticular um bloco que visa promover a integração entre os países da região, em conformidade com os princípios delineados na Constituição Federal de 1988.
A Celac, criada em 2010, emerge da iniciativa de governos progressistas que buscam contrabalançar a influência dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA). Composta por 33 países da América Latina e do Caribe, a comunidade abrange mais de 22 milhões de km², equivalente a cinco vezes o território da União Europeia e com uma população de 670 milhões, o dobro da dos Estados Unidos. Juntas, as economias dos países-membros somam cerca de US$ 5 trilhões em PIB, configurando-se como uma força significativa no comércio global em tempos de protecionismo.
Entretanto, a fragmentação política e a desintegração econômica da região resultam em paralisia nas iniciativas de integração, como as já debilitadas do Mercosul e da Comunidade Andina. A adesão da Bolívia ao Mercosul em 2024 e a mudança de liderança no Uruguai não foram suficientes para mitigar as dificuldades enfrentadas pela América do Sul, onde a cooperação ainda é escassa para superar dependências históricas e níveis de subdesenvolvimento.
Em um ambiente marcado por crises globais, o Brasil precisa equilibrar suas relações com diferentes potências e reativar iniciativas integracionistas que garantirão benefícios ao seu interesse nacional. Em meio à crise do multilateralismo, é essencial que o país defenda a resolução pacífica de conflitos, promova a agenda de transição energética e avance em mecanismos de comércio e investimentos que reestruturem a governança global.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) projeta que, apesar de alguns avanços, o crescimento das economias latino-americanas ainda será lento em 2025, dependendo majoritariamente do consumo privado. A previsão é um crescimento de apenas 2,4%, com uma média de 1% ao ano entre 2015 e 2024, refletindo uma estagnação do PIB per capita e desafios exacerbados pela dependência tecnológica.
Para um futuro mais promissor, é fundamental que o Mercosul implemente acordos de livre-comércio, como o firmado com a União Europeia, e avance em temas como um mercado de energia sul-americano. A revitalização do regionalismo latino-americano é vital para fortalecer as democracias em nossa região. Iniciativas como a Aliança Global Contra a Fome, proposta pelo Brasil durante a presidência do G20 em 2024, e a implementação da Agenda 2030 são imperativas para a solidariedade compartilhada, especialmente em tempos de crise.
O fortalecimento da cooperação Sul-Sul através do Brics+ e a busca por alternativas ao domínio do dólar nas transações internacionais, como o Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos da Aladi, são essenciais. As parcerias de infraestrutura, especialmente com a China, têm o potencial de atualizar os projetos do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) e facilitar os preparativos para a COP 30 com base na Declaração de Belém.
Apesar das divergências políticas, a busca por um diálogo construtivo e o avanço na agenda econômica de integração se destacam como o caminho para uma inserção mais autônoma do Brasil no cenário internacional. Reiterar compromissos com a política de integração regional sob a premissa de uma atuação externa independente é crucial para fomentar o crescimento econômico e reduzir a vulnerabilidade da América Latina e do Sul diante de interesses externos.
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