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Conflito no Oriente Médio impulsiona alta nos preços das matérias-primas e impacta a indústria brasileira

Conflito no Oriente Médio impulsiona alta nos preços das matérias-primas e impacta a indústria brasileira

28 de abril de 2026

Autores:

Paloma Custódio


Impactos da Alta do Petróleo na Indústria Brasileira: Perspectivas e Desafios

A recente escalada nos preços do petróleo e de outros insumos, exacerbada pela instabilidade no Oriente Médio, resultou em um aumento significativo nos custos das matérias-primas no Brasil. Dados da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelam que o índice de evolução dos preços das matérias-primas subiu de 55,3 para 66,1 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 10,8 pontos que não era observado desde o segundo trimestre de 2022, quando o comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia.

O impacto dessa pressão inflacionária nas matérias-primas elevou seu destaque no ranking dos desafios enfrentados pela indústria, sendo mencionada por 30,8% dos industriais no começo de 2026, um aumento expressivo em relação aos 17,3% de dezembro de 2025, agora ocupando a segunda posição. Em primeiro lugar, permanece a elevada carga tributária, que caiu levemente de 41,1% para 34,8% das queixas, seguida pelas taxas de juros altas, com 27,2%.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, afirma que essa preocupação crescente reflete os efeitos do cenário internacional. “A escassez ou os altos custos das matérias-primas são reflexo direto das dificuldades trazidas pelo conflito no Oriente Médio, que estão elevando os preços do petróleo e outros insumos essenciais”, declarou.

Custo dos Insumos e Situação Financeira das Indústrias

Apesar do aumento de preços, os industriais expressam descontentamento com as condições financeiras de suas empresas. O índice que mede essa percepção caiu 2,9 pontos, passando de 50,1 para 47,2 pontos. O índice de satisfação com o lucro operacional também apresentou recuo de 2,6 pontos, chegando a 41,9 pontos, o menor nível desde 2020, quando a indústria enfrentava os impactos severos da pandemia.

Adicionalmente, o índice de acesso ao crédito caiu 1,9 ponto, atingindo 39 pontos, a pior marca em três anos, demonstrando a dificuldade das empresas em obter financiamento. “Os juros permanecem como uma pressão significativa sobre a saúde financeira das indústrias, especialmente para aquelas com dívidas acumuladas. O aumento nos custos de insumos e matérias-primas no primeiro trimestre de 2026 acentuou essa tensão”, ressaltou Azevedo.

Avanço na Produção Industrial em Março

Contrariando as dificuldades financeiras, a produção industrial registrou um avanço em março, com um aumento de 8,3 pontos no índice de evolução, passando de 45,4 para 53,7 pontos. Este resultado positivo era esperado, visto que março geralmente marca uma transição de queda para alta na produção.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também se destacou, subindo de 66% para 69%, superando a média histórica de 67% para o mês de março. Contudo, o índice de evolução do nível de estoques mostrou uma leve queda de 0,1 ponto, seguindo abaixo da linha de 50 pontos, indicando que os estoques permanecem abaixo do ideal.

Além disso, o índice de evolução do número de empregados aumentou, passando de 48 para 49,1 pontos, embora ainda abaixo de 50, sinalizando uma continuidade da queda, embora em menor intensidade.

Expectativas do Setor

Os resultados encorajadores da produção e da UCI projetaram uma melhora nas expectativas empresariais para os próximos meses. De acordo com a CNI, todos os índices de expectativa registraram alta em abril, com exceção do indicador sobre o número de empregados.

Entre os pontos positivos, a expectativa de demanda por produtos industriais aumentou para 53,9 pontos, a compra de insumos subiu para 52,5 pontos, e a expectativa de quantidade exportada atingiu 50,9 pontos. Por outro lado, a expectativa de número de empregados caiu para 50,1 pontos.

Apesar dessas melhorias, a intenção de investimento no setor continua cautelosa devido às incertezas externas e às elevadas taxas de juros, com o índice de intenção de investimento caindo para 53,7 pontos, marcando a quarta queda consecutiva.

Para informações detalhadas, a pesquisa completa pode ser acessada no site da CNI.

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