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Estudo revela que Amazônia pode se regenerar após queimadas, mas enfrenta maior vulnerabilidade.

Estudo revela que Amazônia pode se regenerar após queimadas, mas enfrenta maior vulnerabilidade.

28 de abril de 2026

Autores:

Marquezan Araújo


A Amazônia: Resiliência em Debate e Novos Desafios

A Floresta Amazônica, apesar das agressões significativas que sofreu, como queimadas, secas prolongadas e tempestades severas, demonstra uma notável capacidade de recuperação. Árvores rebrota e os processos ecológicos tendem a se restaurar. No entanto, essa regeneração ocorre de maneira distinta, com uma diversidade de espécies reduzida e uma maior vulnerabilidade a novos distúrbios.

Essa é a principal conclusão de uma pesquisa publicada na revista PNAS, que se baseou em duas décadas de observações em campo realizadas por cientistas brasileiros. O estudo revela que, após os danos, espécies mais sensíveis tendem a desaparecer ou a se tornar raras, enquanto aquelas mais resistentes e adaptáveis a ambientes adversos começam a prevalecer.

Mitos sobre a Transformação da Floresta

Os autores da pesquisa destacam que o impacto observado sobre a vegetação não resulta na transformação da Amazônia em savana, como algumas teorias sugerem. Segundo o estudo, a floresta se mantém, mas com uma composição mais simplificada e homogênea em certas áreas. Entretanto, essa alteração implica em uma exposição aumentada a eventos climáticos extremos.

Secas mais intensas, incêndios recorrentes e o avanço do desmatamento fragilizam o sistema florestal. As mudanças climáticas em escala global agravam ainda mais esse quadro, comprometendo funções essenciais da floresta, como a absorção de carbono e a regulação das chuvas.

Fenômenos climáticos, como o El Niño — que altera os padrões de precipitação ao aquecer o oceano Pacífico — também afetam esse equilíbrio, impactando a frequência e a intensidade dos eventos danosos.

A Recuperação e suas Nuances

Os pesquisadores identificaram variações significativas dentro da floresta. Nas áreas mais profundas, longe das bordas, a vegetação recupera-se mais rapidamente quando o fogo é controlado, mantendo níveis de diversidade relativamente estáveis.

Por outro lado, nas regiões adjacentes a áreas abertas, como pastagens e estradas, a recuperação é mais lenta e incompleta. Entre 2004 e 2024, essas bordas sofreram uma redução drástica da variedade de espécies, chegando a quase 50% em algumas áreas. A diversidade de espécies caiu entre 20% e 46% nesse período.

Esse fenômeno se deve ao fato de que a proximidade com áreas abertas altera a temperatura, a umidade e outras características do microclima. Além disso, a presença de gramíneas, que se proliferaram principalmente nas bordas após incêndios severos, dificultou a regeneração das árvores, promovendo novos focos de fogo. Essas gramíneas, como a Andropogon gayanus, têm origem africana e estão associadas a ambientes de pastagem.

Contudo, com o avanço da vegetação arbórea, especialmente a partir de meados da década de 2010, essas gramíneas começaram a perder espaço e hoje sobrevivem apenas em pequenas áreas sombreadas. Esse cenário indica que, apesar das mudanças significativas, não há evidências de conversão permanente da floresta em um ambiente semelhante ao de savana.

A relação delicada entre a Amazônia e o clima global segue como um tema crítico, exigindo atenção e soluções urgentes para garantir a preservação desse ecossistema vital.



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