Zé Maria, do PSTU, critica condenação por racismo e levanta bandeira pela Palestina
A Justiça Federal de São Paulo condenou José Maria de Almeida, conhecido como Zé Maria, presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a dois anos de prisão em regime aberto por racismo, decorrente de um discurso proferido durante um ato em defesa da Palestina em outubro passado. A pena inclui medidas restritivas, como o pagamento de dez salários mínimos a uma entidade social e trabalho comunitário.
O juiz federal Massimo Palazzolo, responsável pela sentença, alegou que as declarações de Zé Maria ultrapassaram os limites do debate político e violaram a dignidade do povo judeu. Em entrevista à Sputnik Brasil, Zé Maria desqualificou a decisão, afirmando que “não tem pé nem cabeça” e carece de fundamento histórico e legal. Ele recordou suas experiências passadas com a Justiça, incluindo prisões durante a ditadura militar e uma condenação anterior que foi posteriormente anulada.
O dirigente também refutou a associação feita entre críticas ao sionismo e antissemitismo, classificando esse argumento como uma tática para silenciar vozes contrárias às ações de Israel. Para ele, defender o fim do Estado de Israel é uma questão de igualdade de direitos para todos os habitantes da região, e não uma negação da existência do povo judeu.
Além disso, Zé Maria contestou a base legal da sua condenação ao lembrar que o Brasil havia classificado o sionismo como uma ideologia racista por décadas. O processo foi movido pela Confederação Israelita do Brasil e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo, com a alegação de discurso de ódio.
O ex-presidente do PSTU alertou que o caso representa um precedente perigoso para a liberdade de expressão no Brasil, essencialmente defendendo um direito fundamental de criticar políticas israelenses. Ele criticou o Projeto de Lei 1.424/2026, proposto pela deputada federal Tabata Amaral, que busca instituições públicas mais rígidas sobre definições de antissemitismo, afirmando que a proposta já antecipa medidas punitivas como as que ele enfrenta.
Zé Maria também fez um balanço crítico do governo lula e do avanço das privatizações em São Paulo, considerando-as uma ameaça ao povo brasileiro. Ele finalizou expressando que a verdadeira paz na região do Oriente Médio só será alcançada com o fim da ocupação israelense e a promoção de uma sociedade democrática, laica e igualitária para todos os povos que habitam a região.
