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Combinação de Estratégias é a Chave para Combater Furtos e Roubos de Celulares – Jornal da USP

Combinação de Estratégias é a Chave para Combater Furtos e Roubos de Celulares – Jornal da USP

15 de abril de 2025

Autores:

Redação


Cresce a discussão sobre medidas para combater furtos de celulares no Brasil

O aumento alarmante de furtos de celulares no Brasil levou à proposta de um projeto de lei pelo ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que busca endurecer as penas para quem comete esse crime a mando de chefes de quadrilha, além de punir quem recepta aparelhos roubados. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quase 1 milhão de registros de roubos e furtos de celulares foram feitos em delegacias de todo o país em 2023. Para Paula Ballesteros, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, o cenário reflete uma sociedade em que a circulação de celulares, especialmente os de modelos mais sofisticados, se tornaram um atrativo para os criminosos.

Apesar do acirramento das penas, Paula ressalta que o aumento nas punições não se traduz necessariamente em uma redução das ocorrências. "Estatísticas demonstram que, apesar do maior número de prisões, a incidência de furtos continua alta. Essas medidas devem ser acompanhadas de estratégias interdisciplinares, abrangendo ações dentro e fora do sistema penal", observa a pesquisadora.

Entre as propostas do new legislação, destaca-se a ideia de enviar alertas aos proprietários de celulares roubados, informando-lhes sobre a origem ilícita de seus dispositivos e incentivando a entrega às autoridades. No entanto, especialistas em segurança questionam a eficácia dessa medida, argumentando que a compra de celulares em estabelecimentos não oficiais por preços muito abaixo do mercado já instiga desconfiança quanto à legalidade dos produtos.

Uma abordagem mais integrada

Paula Ballesteros defende que a solução para o combate aos furtos de celulares deve ir além de ações superficiais e incluir um diálogo efetivo com fabricantes. "É essencial entender por que esses aparelhos se tornaram objetos de desejo e, mais importante, buscar alternativas mais acessíveis que reduzam o apelo pelo mercado negro", afirma.

A implementação de ações preventivas em regiões críticas e investigações mais robustas que conectem furtos ao crime organizado são fundamentais. A pesquisa indica que essa abordagem, antes negligenciada, é crucial para desmantelar redes que lucram com a revenda de aparelhos roubados. "É necessário um foco maior em crimes digitais, já que os celulares também são usados em fraudes virtuais. Isso exige um investimento significativo em tecnologias que garantam bloqueios eficazes e identificação precisa dos usuários legítimos", sugere Paula.

A pesquisadora finaliza sublinhando a importância de fomentar parcerias com universidades e indústrias para desenvolver tecnologias que protejam os usuários e seus bens, elevando assim a discussão sobre a segurança no uso de dispositivos móveis no Brasil.



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