13/05/2026 – 20:52
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O acadêmico dinamarquês Björn Lomborg
O Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados sediou, na tarde desta quarta-feira (13), uma conferência do renomado acadêmico dinamarquês Björn Lomborg. O encontro teve como foco a maximização do retorno social sobre os investimentos públicos, discutindo a importância de adotar uma análise de custo-benefício nas decisões governamentais.
Lomborg trouxe à tona uma perspectiva controversa sobre as mudanças climáticas, questionando a eficácia de gastos vultuosos nessa área. Embora reconheça a seriedade do aquecimento global, o pesquisador afirmou que a narrativa do “apocalipse” não deve ofuscar a capacidade humana de adaptação.
Para exemplificar, Lomborg comparou o impacto de desastres naturais em diferentes contextos econômicos: “Um furacão que atinge o Haiti, um país marcado pela pobreza, causa destruição severa. Já um furacão na Flórida, mais rica, resulta em problemas limitados”, explicou, argumentando que o investimento em crescimento econômico é crucial para promover resistência a eventos climáticos adversos.
Números que Falam
Durante sua apresentação, Lomborg apresentou dados que fundamentam sua tese de priorização. Segundo suas estimativas, as políticas de “zero líquido” de emissões de carbono até 2050 poderiam custar anualmente aproximadamente US$ 27 trilhões, resultando em um benefício econômico de apenas US$ 4,5 trilhões. “É como gastar R$ 7 para obter R$ 1 de benefício”, afirmou de maneira contundente.
Em contrapartida, o acadêmico defendeu a educação e a saúde como setores com altos retornos sociais. A educação, por meio de intervenções como a pedagogia estruturada e o uso de softwares, poderia gerar R$ 65 de retorno para cada real investido. Em saúde, medidas simples, como a ressuscitação neonatal, têm o potencial de salvar milhares de vidas com um custo relativamente baixo.
Desafios e Controvérsias
O debate não se deu sem questionamentos. O público trouxe à tona a aplicabilidade das ideias de Lomborg no Brasil, um país frequentemente afetado por desastres ambientais que requerem soluções imediatas. O dilema levantado foi se uma abordagem de longo prazo pode se sustentar em cenários de urgência humanitária.
Outro ponto de discordância foi o valor atribuído ao bem-estar de outras espécies. Lomborg reiterou que, apesar da preocupação com a biodiversidade, a prioridade deve reside na vida humana. “Se as pessoas morrerem de desastres naturais, o foco nas mudanças climáticas será inevitável”, frisou.
Caminhos a Seguir
Para representantes da Câmara e especialistas, o evento reforçou a necessidade de qualificar o debate sobre o uso do gasto público. O deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), presidente do Cedes, enfatizou que as decisões governamentais devem ser baseadas em evidências. “Fazer mais com menos é um compromisso que não podemos adiar”, afirmou.
O ministro Nauê Bernardo Azevedo, do Tribunal Superior Eleitoral, destacou a necessidade de um desenho eficaz das políticas para assegurar que os investimentos cheguem aos mais necessitados. Já José Evande Araújo, consultor-geral da Câmara, ressaltou que a análise de custo-benefício é uma ferramenta prática para promover melhorias na qualidade de vida da população. A consultora-geral adjunta, Elisangela Moreira Batista, lembrou que, diante da escassez de recursos, as escolhas devem ser baseadas em critérios claros e técnicos.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub
