A Interseção Vital entre Políticas de Segurança e Saúde Pública
Marcelo Nery, coordenador do Centro Colaborador da Opas/OMS (BRA-61) e pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da USP, compartilha suas reflexões sobre como as políticas de segurança e a violência impactam diretamente a saúde pública.
Um Novo Rumo na Saúde
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) está em processo de elaboração de um Novo Plano Estratégico, que terá vigência de 2026 a 2031. Este plano visa redefinir práticas e diretrizes em saúde, considerando aprendizados de documentos anteriores e buscando alinhar ações com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Uma prioridade será a redução das desigualdades no acesso a tratamentos médicos, além de unificar as questões de saúde e segurança.
Diálogo Necessário
Nery destaca a importância da Opas e da Organização Mundial da Saúde (OMS) em estabelecer suas prioridades durante esse processo. “Estamos aqui para definir quais questões devem ser abordadas e como mensurar os problemas relacionados”, enfatiza. As reuniões iniciadas no final do ano passado visam criar um ambiente propício para discutir tanto os desafios atuais quanto as propostas de solução para uma saúde mais equitativa.
Reflexos Pandêmicos e Climáticos
O impacto da pandemia de covid-19 ainda reverbera nas decisões da OMS. Nery observa que, além da pandemia, questões como a crise climática complicam ainda mais os desafios de saúde e segurança, reforçando a relevância do diálogo entre saúde e segurança pública. O NEV participa ativamente dessas discussões, abordando temas como a proteção dos direitos humanos e a violência de gênero.
A Importância da Informação
A produção de dados confiáveis é crucial para o novo Plano Estratégico. Nery aponta que “debater a metodologia de coleta e análise de dados é fundamental, especialmente em um contexto onde a desinformação é prevalente”. A integração de tecnologias como inteligência artificial e a migração para o mundo digital são fatores que podem melhorar a qualidade das informações disponíveis.
À medida que o novo documento se consolida, será apresentado não apenas ao grupo da Opas, mas também a instâncias internas da OMS antes de sua divulgação ao público. Essa transparência é essencial para garantir que as políticas de saúde pública sejam bem fundamentadas e atendam às necessidades reais da população.
