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“Residência em Medicina de Família e Comunidade: Novo Ano Focado em Práticas Integradas de Saúde Mental” – Jornal da USP

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“Residência em Medicina de Família e Comunidade: Novo Ano Focado em Práticas Integradas de Saúde Mental” – Jornal da USP

14 de maio de 2025

Autores:

Redação


Capacitação em Saúde Mental: Iniciativa Inovadora do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP lançou um novo modelo de formação voltado à saúde mental, ampliando a Residência de Medicina de Família e Comunidade. Essa estratégia prepara profissionais para atuar de maneira eficaz e humanizada em comunidades vulneráveis, priorizando a escuta qualificada, o vínculo territorial e a consideração dos determinantes sociais da saúde.

A proposta visa aprofundar práticas já consolidadas nas unidades de saúde de áreas periféricas, onde equipes de médicos de família estão diretamente envolvidas com populações em situações de grande vulnerabilidade. Segundo o coordenador do programa, professor João Mazzoncini de Azevedo Marques, a formação abrange duas frentes: Saúde Mental e Populações Negligenciadas, e Gestão, fundamentando-se em experiências anteriores que demonstraram resultados positivos no cuidado de condições de saúde física e mental.

As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) nas Unidades de Saúde da Família (USF) atendem, em média, três mil pessoas por equipe, destacando-se pelo forte vínculo comunitário. O professor Mazzoncini observou uma redução nos transtornos mentais entre aqueles que receberam acompanhamento nas USF em comparação a pacientes atendidos pela Atenção Primária tradicional.

A iniciativa fundamenta-se na noção de "coprodução de saúde", proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que enfatiza a relação de reciprocidade entre profissionais de saúde, usuários, suas famílias e a comunidade.

Prática de Cuidado Integral

Conduzida pela médica de família e comunidade Cely Carolyne Pontes Morcerf, a prática médica é ancorada em princípios de empatia, parceria e coordenação de cuidados, sempre fundamentada em evidências científicas. Cely, que atualmente realiza doutorado em Saúde Pública na FMRP, salienta a importância da medicina centrada na pessoa, convocando novos médicos a se estabelecerem em seus territórios e a escutarem ativamente as vozes de comunidades marginalizadas – incluindo grupos indígenas, LGBT e migrantes.

Além do atendimento em unidades de saúde, a especialidade também abrange a saúde mental de estudantes e visa a superação das barreiras de acesso ocasionadas pela invisibilidade de certas populações.

Ferramentas Terapêuticas e Abordagem Proativa

O modelo de atendimento adota uma abordagem personalizada, utilizando entrevistas motivacionais, arteterapia, e outras estratégias criativas que auxiliam no enfrentamento de comportamentos de risco e na promoção da saúde. Cely enfatiza a importância do acompanhamento constante, que vai além do tratamento de sintomas, abordando as raízes dos problemas de saúde, como desigualdade social e rupturas familiares.

O foco da formação é não apenas na cura, mas também na promoção da saúde e prevenção de doenças. Cely e Mazzoncini compartilham a visão de que a formação deve ir além de conhecimentos técnicos, integrando uma consciência social crítica e humanizada nas práticas médicas.

Desafios e Perspectivas Futuras

Os desafios são grandes, especialmente no que diz respeito à fragmentação entre saúde mental e saúde física. O programa aposta em modelos de Cuidado Compartilhado, alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde, com a intenção de construir uma rede de apoio eficaz. A formação dos futuros profissionais também aborda cenários complexos, como a violência estrutural, equipando-os para lidar com as dificuldades do ambiente em que atuam.

Com a primeira turma já apresentando resultados promissores, o programa busca formar multiplicadores que levarão essa abordagem inovadora para as diversas realidades do SUS. As expectativas são altas: tanto Mazzoncini quanto Cely veem o futuro com otimismo e a certeza de que a assistência à saúde de qualidade pode alcançar, finalmente, aqueles que mais precisam.

Por: Rose Talamone e Vitória Gomes



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