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Mulheres Velejadoras: Entre Aventuras e Delicadezas, Experiências que Transformam – Jornal da USP

Mulheres Velejadoras: Entre Aventuras e Delicadezas, Experiências que Transformam – Jornal da USP

12 de abril de 2025

Autores:

Redação


Vela como Instrumento de Empoderamento Feminino: Estudo da USP Revela Novas Perspectivas no Esporte

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) aponta como a prática da vela pode se transformar em uma poderosa ferramenta de empoderamento e liberdade para mulheres no universo esportivo. Embora a vela, assim como muitos outros esportes, tenha sido historicamente dominada por homens, a pesquisa revela que essa modalidade oferece novas oportunidades de questionamento de estereótipos de gênero e de superação de barreiras culturais.

De acordo com dados da World Sailing, divulgados em 2019, cerca de 80% das mulheres envolvidas na vela consideram que o desequilíbrio de gênero é um obstáculo significativo. Em resposta a essa realidade, a pesquisadora Maria Altimira Hackerott decidiu explorar a questão: "O que velejar permite que as mulheres sejam?". Sua investigação, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, sob a orientação das professoras Soraia Chung Saura e Ana Cristina Zimmermann, culminou em uma tese de doutorado e em um artigo publicado na prestigiada revista Journal of the Philosophy of Sports.

A pesquisa ressaltou que, para as mulheres, a experiência de velejar transcende o mero desafio físico. Ao entrevistar praticantes com trajetórias variadas, desde atletas profissionais até aquelas que vivem a bordo, Maria Hackerott observou que navegar proporciona uma conexão profunda com o mar, o vento e o barco. Essa relação íntima não só enriquece a vivência individual como também possibilita uma ampliação da percepção de si mesmas, permitindo que as mulheres superem barreiras tanto pessoais quanto sociais.

O estudo enfatiza a importância da vela como um espaço de autoafirmação, onde as mulheres podem descobrir suas capacidades e questionar normas que tradicionalmente restringem sua participação. De acordo com a autora, a prática revela uma estética do velejar, promovendo reflexões sobre aquilo que toca profundamente as praticantes. "A conexão entre corpo, vento e água evoca sensações de imensidão e liberdade, permitindo uma experiência que vai além do técnico", afirma Hackerott.

As experiências relatadas por velejadoras destaca a complexidade da vivência feminina no mar, onde não há espaço para julgamentos baseados em gênero. A pesquisa não ignora, contudo, as barreiras da interseccionalidade, abordando como as questões de raça e classe social influenciam o acesso à vela. Entre os relatos, estão aqueles que narram o enfrentamento do racismo e da exclusão social, desafiando normas estabelecidas e reivindicando seu lugar nesse espaço.

Através de sua pesquisa, Maria Hackerott não só apresenta a vela como um esporte, mas como um símbolo de resistência e pertencimento. "No balanço dos veleiros, as mulheres navegam além dos limites impostos, descobrindo que serem fortes e delicadas não são características antagônicas, mas parte de uma mesma força que as impulsiona", conclui a pesquisadora.

Para aprofundar-se no tema, o artigo Between Adventure and Delicacy: Sailing as a Powerful Experience for Women está disponível no site da publicação, e a tese intitulada Entre a Aventura e a Delicadeza: Um Olhar sobre as Velejadoras do Brasil pode ser acessada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

Texto: Guilherme Ike, sob supervisão de Paula Bassi, Seção de Relações Institucionais e Comunicação da EEFE.



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