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Violência física contra crianças e adolescentes atinge média de 196 casos por ano no Brasil, aponta Sociedade Brasileira de Pediatria

No Brasil, a violência física contra crianças e adolescentes continua a ser uma triste realidade, com uma média de 196 casos registrados ao longo de 2023. Os dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revelam que cerca de 80% das agressões contra crianças de até 14 anos ocorreram dentro de suas próprias casas, evidenciando um cenário preocupante de violência intrafamiliar.

O Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan), mantido pelo Ministério da Saúde, indica que a violência afeta todas as faixas etárias dessa população vulnerável. Em 2023, foram mais de 3 mil notificações envolvendo bebês com menos de 1 ano, 8.370 casos relacionados a crianças de 5 a 9 anos e 35.851 notificações referentes a adolescentes de 15 a 19 anos.

Porém, a SBP ressalta que esses números representam apenas a parte visível desse problema, destacando a subnotificação como um grande desafio para compreender a real dimensão da violência contra crianças e adolescentes. A falta de denúncias, principalmente em áreas remotas ou carentes de recursos, dificulta o combate a esse tipo de crime.

A notificação de casos suspeitos ou confirmados de violência contra menores é compulsória no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A SBP destaca a importância de reportar esses casos às autoridades competentes, como o conselho tutelar local, delegacias de polícia e Ministério Público.

Em relação à distribuição geográfica, os estados da Região Sudeste concentram a maioria dos casos de violência física. São Paulo lidera, com 17.278 registros, seguido por Minas Gerais, com 8.598 notificações, e Rio de Janeiro, com 7.634 casos. A Região Sul também apresenta números expressivos, com destaque para o Paraná e Rio Grande do Sul.

Diante desse cenário alarmante, a SBP anuncia o lançamento de uma campanha de sensibilização e orientação diagnóstica sobre violência contra crianças e adolescentes no Brasil. A proposta é fortalecer a prevenção e a identificação precoce de sinais de agressão em todos os níveis de serviços de saúde, visando proteger essa parcela vulnerável da população e interromper o ciclo de violência.

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