
Emendas Parlamentares: Estratégia de Reeleição?
No último domingo (6), a reeleição de prefeitos beneficiados com emendas parlamentares foi destaque. De acordo com análise da equipe da Folha, 98% dos 116 prefeitos mais favorecidos foram reeleitos, indicando uma forte relação entre emendas e sucesso eleitoral.
Esses prefeitos, que receberam em média R$ 2.543,70 por votante – mais que três vezes a mediana nacional – conquistaram uma média de 72% dos votos válidos. A presença de candidatos únicos entre esses líderes também foi significativa, com 12 prefeitos já garantidos na reeleição antes mesmo das eleições.
A influência das emendas parlamentares nas eleições municipais tornou-se evidente devido à mudança no papel dos congressistas na destinação de verbas federais a partir do governo Bolsonaro. Desde 2021, mais de R$ 80 bilhões foram distribuídos em emendas para os 5.569 municípios brasileiros, um fator determinante nas campanhas eleitorais dos atuais prefeitos.
Apesar do sucesso geral, dois prefeitos notáveis foram Izael (União Brasil), em Cabixi (RO), e Cássio Cursino (PSD), em Sítio do Mato (BA), que não obtiveram êxito na reeleição. Em contrapartida, o prefeito Rodrigo Rossoni (PSDB) de Bituruna (PR), uma das cidades mais beneficiadas por emendas, obteve uma vitória expressiva com 75% dos votos.
Um ponto de destaque nessas análises foi o direcionamento de recursos para parentes de deputados e senadores. Em Bituruna, por exemplo, 43% do valor recebido em emendas teve como autor o pai do prefeito, Valdir Rossoni, que anteriormente ocupou cargo de deputado federal.
Além disso, a situação das emendas do tipo Pix, alvo de críticas pela falta de transparência, também foi abordada. O prefeito de Barra D’Alcântara (PI), Mardônio Soares (MDB), destacou que boa parte das verbas destinadas ao município foram nessa modalidade, com destaque para obras de calçamento e reformas de prédios.
No cenário atual, as emendas parlamentares se mostram essenciais não apenas para o desenvolvimento local, mas também como estratégia política para os gestores, proporcionando altas taxas de reeleição e fortalecendo os laços entre prefeitos e congressistas.