
O que motivou esse programa não foi apenas a conservação de recursos e a seca, mas também a prevenção de transbordamentos de esgoto combinados.
Esses transbordamentos ocorrem em sistemas de esgoto combinados, nos quais o escoamento de águas pluviais e o esgoto doméstico são coletados na mesma rede de tubulação. Esses sistemas foram originalmente projetados para transportar todas as águas residuais para uma estação de tratamento, antes de serem despejadas em corpos hídricos naturais.
No entanto, durante chuvas fortes, o volume de água que entra no sistema pode exceder sua capacidade. Quando isso acontece, o excesso, que consistindo em águas pluviais e esgoto não tratado, transborda diretamente para os rios próximos.
Cerca de 2 mil dos 10 mil quilômetros de esgotos da cidade são combinados com transbordamentos em 180 locais. Trata-se, basicamente, de aberturas no sistema de esgoto que levam ao rio Spree, explica Hackenesch-Rump.
Os cursos hídricos de Berlim também são relativamente pequenos e de movimento lento em comparação com os de outras cidades. Por exemplo um grande rio como o Reno, que atravessa diversas áreas urbanas, inclusive Colônia: com uma vazão média de 2.200 metros cúbicos por segundo, ele é capaz de se limpar sozinho.
“Em Berlim, a vazão é de menos de 10 metros cúbicos por segundo. O que quer que entre, portanto, permanece naturalmente por algum tempo. É por isso que esses transbordamentos de esgoto provocam regularmente morte de peixes e diminuição do oxigênio nas águas.”