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Extrema direita na França: Quem será considerado francês caso a RN vença as eleições?

Afinal, quem será francês se a extrema direita vencer?

Um filho de uma argelina e um camaronês tem o direito de levantar a taça da Copa do Mundo em nome da França?

Qual o destino dos descendentes de estrangeiros e seu lugar na sociedade? E que tipo de sociedade a França quer ser?

Em uma carta aberta publicada recentemente, mais de mil historiadores franceses expuseram suas preocupações em relação ao possível cenário caso a extrema direita vença nas eleições. De acordo com eles, a transformação visual do partido Reunião Nacional (RN), liderado por Le Pen, não consegue mascarar a xenofobia subjacente.

A política de cidadania do RN, conhecida como “preferência nacional” e agora como “prioridade nacional”, continua sendo o cerne ideológico do partido, alertam os historiadores. “Isso vai contra os valores republicanos de igualdade e fraternidade, e sua implementação exigiria alterações na constituição francesa”, afirmam.

Os acadêmicos também destacam que, caso o RN vença e implemente seu programa declarado, “a abolição do direito à nacionalidade francesa para aqueles nascidos na França traria uma mudança profunda em nossa concepção republicana de nacionalidade, uma vez que indivíduos nascidos e criados no país não seriam mais considerados franceses, assim como seus filhos”.

“Além disso, a exclusão de cidadãos com dupla nacionalidade de determinadas funções públicas resultaria em uma discriminação intolerável entre diversas categorias de franceses. Nossa comunidade nacional não se basearia mais na adesão política a um destino comum, como proposto pelo historiador Ernest Renan no século XIX, mas sim em uma concepção étnica da França”.

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