EBC e ABI solicitam fim do descredenciamento de fotógrafo na CPMI. Intervenção do Presidente da República é criticada.

Em nota oficial, a EBC manifestou sua indignação com a medida, considerando-a autoritária e injustificável. A empresa defendeu o livre exercício da profissão e a liberdade de imprensa, solicitando ao presidente da CPMI que reconsidere o descredenciamento de Lula Marques para que não haja restrição ao exercício de sua atividade. A EBC ainda informou que, caso a decisão não seja revista, não designará outro profissional para a cobertura fotográfica da CPMI.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por meio da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, também se manifestou contra a medida, classificando-a como ilegal, inconstitucional, autoritária e inaceitável. A ABI afirmou que a decisão do descredenciamento constitui um ato de censura ao trabalho do jornalista, indo contra os princípios da Constituição.
De acordo com a entidade, a ação de impedir Lula Marques de circular no Plenário da CPMI por conta das fotos que ele registrou durante uma reunião da comissão é um reflexo dos ataques recentes à democracia e ao Estado de direito. A ABI ressaltou que fotos como as capturadas pelo fotógrafo, que registraram textos, mensagens e documentos sem o conhecimento dos envolvidos, já ocorreram ao longo da história sem que seus autores sofressem punições.
A associação enfatizou que a única exigência feita tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal é o credenciamento dos profissionais de imprensa para exercerem suas atividades nas duas Casas, regra que deve ser aplicada também à CPMI. Sendo assim, Lula Marques, que possui credenciamento nas Casas Legislativas, tem total autonomia para exercer seu trabalho, mesmo que isso desagrade alguns parlamentares.
Diante disso, o pedido de Hélio Doyle e as manifestações da EBC e da ABI colocam em pauta a necessidade de respeito à livre imprensa e ao exercício da profissão de jornalista, destacando que a restrição imposta ao fotógrafo é um precedente preocupante que vai contra princípios democráticos.