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Advogados requerem esclarecimentos a respeito de app instalado sem autorização, buscando detalhes sobre essa prática indevida.

Professores, alunos e pais de alunos da rede estadual de ensino de São Paulo foram surpreendidos, na semana passada, com a instalação de um aplicativo, chamado de Minha Escola SP, em seus aparelhos celulares particulares sem autorização. Esse problema semelhante já havia ocorrido no ano passado no Paraná, quando Renato Feder, atual Secretário Estadual de Educação de São Paulo, estava à frente da Secretaria da Educação do Paraná.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) relatou que recebeu muitos relatos de professores informando sobre a instalação do aplicativo em seus celulares, sem que os mesmos tivessem autorizado, o que é exigido pela Lei Geral de Proteção de Dados. O sindicato procurou a Secretaria Estadual da Educação para esclarecer o caso e foi informado de que “a empresa contratada instalou indevidamente o aplicativo por meio do chip corporativo enviado pelo governo aos servidores”.

Diante disso, a Secretaria da Educação instaurou um processo administrativo para apurar as circunstâncias dessa instalação involuntária. Segundo a secretaria, a falha ocorreu durante um teste realizado pela área técnica em dispositivos específicos da Secretaria da Educação. Assim que o equívoco foi identificado, a reversão foi acionada e foram enviadas solicitações para a exclusão do aplicativo. Os usuários também têm a opção de excluí-lo por conta própria.

No entanto, especialistas em proteção de dados destacam a importância da Secretaria da Educação fornecer mais esclarecimentos sobre como ocorreu esse incidente, quais dados foram vazados e se houve acesso a informações privadas. Carlos Coninck, especialista no assunto, afirma que a instalação de aplicativos requer o consentimento prévio do titular dos dados, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados. Ainda não é possível afirmar se houve invasão de privacidade, mas é necessário entender melhor como a operação foi realizada.

José Antonio Milagre, advogado especialista em crimes cibernéticos, destaca a importância de uma investigação para apurar as causas desse incidente, como a instalação foi feita e quais dados foram transacionados. Caso seja comprovado o compartilhamento irregular de dados pessoais, a Secretaria da Educação poderá enfrentar sanções, como advertência, bloqueio dos dados pessoais, eliminação dos dados e suspensão ou proibição do tratamento dos dados.

A deputada federal Erika Hilton, do PSOL, protocolou uma representação no Ministério Público para que o caso seja investigado. Ela questiona como a Secretaria teve acesso aos dispositivos sem autorização, o que aconteceu com os dados das pessoas afetadas e para quem essas informações foram repassadas.

Os especialistas afirmam que os professores e alunos que se sentirem violados podem acionar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e buscar uma resposta judicial caso tenham sofrido prejuízos. É importante que a Secretaria da Educação forneça explicações aos usuários afetados e que o Google também esclareça seu envolvimento nesse incidente.

Em resposta, a empresa Google informou que os gestores das instituições de ensino são responsáveis pela administração e gestão dos dados dos usuários e dos aparelhos cadastrados. A empresa ressalta que não participou do desenvolvimento, dos testes e nem da instalação do aplicativo citado.

É fundamental garantir a proteção dos dados pessoais dos usuários e que os responsáveis por esse vazamento sejam responsabilizados. A Lei Geral de Proteção de Dados está em vigor para assegurar a privacidade e segurança das informações das pessoas, e qualquer violação deve ser tratada com seriedade e diligência.

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