
A antiga glória da Rua do Triunfo
No coração da região conhecida como Boca do Lixo, próximo à estação da Luz, encontra-se a rua do Triunfo. Atualmente marcada como uma das vias de fluxo da cracolândia, esta rua já foi um centro vibrante da produção cinematográfica no Brasil, especialmente entre meados dos anos 1960 e a década de 1980.
Conhecida como o epicentro do cinema marginal ou cinema de invenção em São Paulo, a rua do Triunfo abrigou produtores, diretores e talentos do cinema que desafiaram as convenções da época, rebelando-se contra o regime ditatorial através de filmes ousados e polêmicos.
Famosos cineastas como José Mojica Marins, Ozualdo Candeias e Walter Hugo Khouri frequentavam o local, discutindo ideias e projetos cinematográficos em bares e restaurantes como o Soberano, que era ponto de encontro da efervescente cena cultural da época.
Embora muitas das produções da região fossem alvo de preconceito, especialmente as pornochanchadas, esses filmes foram um sucesso mercadológico, garantindo a sustentabilidade financeira da Boca do Lixo. A rua do Triunfo era, de fato, um polo de criatividade e liberdade artística.
Com dezenas de produtoras cinematográficas instaladas em edifícios icônicos como o Soberano, a região ganhou a alcunha de “Hollywood Paulistana”, mesmo enfrentando desafios e condições adversas se comparada à meca do cinema americano. O legado deixado pelos cineastas e atores que passaram pela rua do Triunfo é inegável, contribuindo significativamente para o cinema nacional da época.
A história da rua do Triunfo é um testemunho da diversidade e criatividade do cinema brasileiro, que mesmo em meio a adversidades, conseguiu produzir obras marcantes e influentes.