
Crise de lixo em Belém preocupa moradores e impacta cidade escolhida como sede da COP30
Belém, a cidade escolhida como sede da COP30, a conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas), começou o ano com diversas ruas tomadas por pilhas de lixo. O problema se arrasta desde junho do ano passado e envolve deficiência no sistema de coleta da prefeitura, esgotamento da capacidade do aterro sanitário e uma dívida de R$ 15 milhões da prefeitura com empresa que faz o tratamento dos resíduos.
Em alguns pontos o atraso na coleta é tão grande que as pilhas de lixo chegam a bloquear completamente as calçadas e se estendem por boa parte das pistas de automóveis, obrigando pedestres a caminhar em meio aos carros e ônibus. Moradores de bairros como Pedreira estão indignados com a situação e chegaram a atear fogo em entulhos e sacolas de lixo para chamar a atenção para o problema.
O prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL) lançou a operação “Limpezão Emergencial” como tentativa de reestabelecer a limpeza urbana enquanto a cidade não encontra uma solução definitiva para a coleta de lixo. A crise do lixo foi atribuída a uma queda na arrecadação municipal e contratos mal feitos com o aterro sanitário de Marituba por gestões anteriores.
A secretária de saneamento básico de Belém, Ivanilse Gasparin, afirmou que a ação emergencial deve durar dois meses até que seja concluída a PPP (parceria público-privada) de coleta de lixo da capital paraense, cujo processo de licitação começou em março de 2023 e teve diversos adiamentos provocados por decisões do TJ-PA (Tribunal de Justiça do Pará).
Além da coleta deficiente, Belém também enfrenta dificuldades para a destinação do lixo. O aterro sanitário do município de Marituba, que atende Belém e os municípios de Ananindeua e Marituba desde 2015, atingiu o limite de sua capacidade em julho de 2019, sendo acusado de ser um dos responsáveis pela crise atual. A Guamá Tratamentos de Resíduos, empresa que administra o aterro, chegou a anunciar a suspensão do recebimento de resíduos sólidos da capital do Pará após acusar a falta de pagamento por parte da Prefeitura de Belém.
Além do lixo, a cidade também enfrenta problemas relacionados ao esgoto, com esgoto correndo a céu aberto por terrenos baldios e até pelas ruas da capital paraense, principalmente nos bairros de baixa renda. Dados do IBGE revelaram que o Pará é o estado com a quarta menor cobertura de esgotamento sanitário do país, o que evidencia a gravidade da situação.
A situação preocupa não apenas os moradores, mas também coloca em xeque a capacidade de Belém de sediar a COP30. A falta de um plano consistente para resolver a crise do lixo e a insuficiência nos índices de saneamento básico colocam em dúvida a capacidade da cidade de receber um evento de tamanha importância internacional.
A Prefeitura de Belém foi questionada sobre a dívida com a empresa que administra o aterro sanitário e sobre os planos para melhorar seus índices de saneamento básico até a abertura da COP30, mas não respondeu.