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Inteligência russa prende físicos acusados de traição por revelar segredos de armas hipersônicas: o lado inexplorado da corrida armamentista.







Artigo Jornalístico

Dezenas de físicos russos acusados de traição relacionada a armas hipersônicas

Nos últimos seis anos, o FSB — serviço de inteligência da Rússia, sucessor da antiga KGB — acusou dezenas de físicos do país de traição. Eles estão presos desde 2018, quando o presidente russo, Vladimir Putin, começou a falar publicamente sobre a produção de novos mísseis hipersônicos no país.

Esses físicos, que são teóricos e não estavam diretamente envolvidos no desenvolvimento militar, foram acusados de transferir informações secretas sobre armas para o exterior. O FSB busca segredos de Estado em projetos internacionais, que estão relacionados à criação de mísseis hipersônicos.

Produção de mísseis hipersônicos: uma realidade russa

Em 2018, Vladimir Putin afirmou que a Rússia havia criado “sistemas de armas de ataque ofensivo que o mundo nunca viu antes”. Esses mísseis hipersônicos, como o ‘Avangard’ e o ‘Kinzhal’, foram revelados em um discurso à Assembleia Federal, demonstrando a capacidade russa nesse campo.

Desde então, a Rússia tem visto um aumento na produção e uso desses mísseis hipersônicos, que são considerados virtualmente invulneráveis e com velocidade similar a de um meteorito.

O FSB prendeu mais de 12 cientistas associados a projetos hipersônicos, como no Instituto Central de Pesquisa de Construção de Máquinas (TsNIIMash) e no Instituto Aerohidrodinâmico Central (TsAGI), acusando-os de traição.

Repercussão internacional

A acusação de traição afetou diretamente a comunidade científica russa, causando medo e impactando a cooperação internacional. Cientistas se recusam a ser testemunhas de defesa, temendo represálias, e a investigação do FSB é questionada por interpretar como segredo de Estado até mesmo informações acadêmicas comuns.

Os casos têm levado cientistas a reconsiderar suas pesquisas e publicações, prejudicando o progresso acadêmico russo e afetando a imagem internacional do país.

É importante refletir sobre o impacto dessas acusações e prisões não apenas na comunidade científica, mas também na sociedade russa como um todo. A liberdade acadêmica e a cooperação internacional são pilares essenciais para o avanço da ciência, e é fundamental garantir que pesquisadores sintam-se livres para trabalhar e colaborar sem medo de represálias.

Publicado em: Jornal Online – 25/10/2024


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