Violência política nas sociedades contemporâneas: especialistas destacam o papel das redes sociais e do discurso de ódio.

De acordo com Pablo Almada, pós-doutor do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, a “guerra cultural” é uma estratégia utilizada não apenas para marcar posicionamentos políticos, mas também para criar arenas de conflito nas redes sociais. Ele destaca que essa abordagem binária e excludente gera uma polarização que ultrapassa o âmbito político, tornando-se um problema grave.
A ascensão da “guerra cultural” foi observada especialmente após a eleição de Donald Trump em 2016, quando o político republicano contratou Steve Bannon como seu estrategista político. Já Rafael R. Ioris, professor da Universidade de Denver e pesquisador do Washington Brazil Office, destaca que a violência política tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada por discursos de ódio que pregam a intolerância e legitimam o uso da força para resolver questões políticas.
A disseminação desses discursos extremistas tem encontrado terreno fértil nas redes sociais, intensificando a desinformação e ampliando visões equivocadas sobre determinados grupos. Almada e Ioris apontam que a juventude, sendo o público mais consumidor de internet, torna-se especialmente vulnerável a esses discursos manipuladores.
Além disso, a falta de representatividade dos partidos políticos e a concentração de riqueza nas mãos de uma minoria têm contribuído para o descontentamento das pessoas em relação às democracias liberais existentes. Nesse contexto, a polarização e a disseminação da violência política representam um desafio para a estabilidade democrática dessas sociedades.
Portanto, é fundamental reconhecer e combater os discursos de ódio, a desinformação e as narrativas extremistas que minam a confiança nas instituições democráticas e fomentam um ambiente propício para a escalada da violência política. A conscientização e a busca por caminhos de diálogo e respeito mútuo se mostram essenciais para preservar os princípios democráticos e promover a paz social.