
No dia 23 de junho é celebrado o Dia das Mulheres na Engenharia, uma data importante para refletir sobre os desafios enfrentados por essas profissionais em um setor tradicionalmente dominado por homens. Desde o desrespeito e assédio até a desigualdade salarial e a falta de apoio à maternidade, as engenheiras encaram uma série de adversidades, mas não se deixam intimidar e continuam conquistando espaço nesse campo tão competitivo.
De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), em 2019 as mulheres representavam apenas 12% dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREAs), porém, atualmente esse número chega a 20%, o que representa um aumento significativo em cinco anos. Esse crescimento, ainda que tímido, demonstra uma evolução na representatividade feminina na engenharia.
Entrevistamos Aline Guasti, fundadora do projeto “A metamorfose das mulheres que constroem” e sócia da MConsult Engenharia, para entender melhor a realidade profissional das mulheres nesse setor. Aline compartilhou sua trajetória e destacou os desafios enfrentados ao longo de sua carreira.
A importância da engenharia na vida de Aline
Aline compartilhou que foi a engenharia civil que a escolheu, mesmo diante de algumas dificuldades e críticas. Sua paixão pelas ciências exatas a levou a enfrentar desafios e superar obstáculos para se tornar engenheira civil, contrariando os que duvidavam de sua capacidade.
Os desafios das mulheres na engenharia
Aline ressaltou as inúmeras barreiras que as mulheres enfrentam nesse campo, desde discriminação e falta de oportunidades até situações de violência e assédio. Ela destacou a importância de projetos voltados para as mulheres na engenharia, evidenciando a necessidade de promover um ambiente mais inclusivo e igualitário.
Recursos disponíveis para as mulheres na engenharia
Aline destacou a importância de dados e informações precisas sobre a realidade das mulheres na engenharia, sobretudo no que diz respeito a situações de violência e assédio. A falta de registro e quantificação dessas ocorrências dificulta a compreensão e combate a essas práticas nocivas dentro do ambiente profissional.
A importância da presença feminina na engenharia
Aline enfatizou que as habilidades das mulheres são complementares às dos homens, contribuindo para processos de inovação e resolução de problemas complexos. A exclusão das mulheres desse ambiente pode resultar na repetição de padrões sociais prejudiciais e limitar o potencial criativo e analítico que a diversidade de gênero pode oferecer.
O equilíbrio entre engenharia e maternidade
Aline também abordou a questão da maternidade e os desafios enfrentados pelas mulheres nesse sentido. Ela compartilhou sua experiência pessoal como mãe de um filho com autismo e os obstáculos que precisou superar para conciliar a vida profissional e familiar.
Dicas para as futuras engenheiras
Por fim, Aline aconselhou as meninas que desejam seguir carreira na engenharia a valorizarem seu autoconhecimento, persistência e cuidado consigo mesmas. Ela ressaltou a importância de enfrentar os desafios com determinação e confiança em suas capacidades.
Em tempos nos quais a igualdade de gênero e a inclusão são pautas fundamentais, a trajetória e as reflexões de Aline Guasti nos inspiram a promover um ambiente mais diverso, justo e acolhedor para as mulheres na engenharia.
Por Tiago Vechi
Jornalista