Estatísticas alarmantes: Brasil registra média de 60 casos diários de estupro de vulnerável; impunidade persiste no “Caso Araceli”

Neste sábado (18), celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em memória da pequena Araceli Cabrera Sánchez Crespo, brutalmente assassinada há 51 anos em Vitória (ES). O caso, conhecido como “Caso Araceli”, permanece impune até hoje, reforçando a importância da luta contra esse tipo de violência.
Dados disponíveis no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que em 2022 foram notificados 58.820 casos de estupro de meninas e meninos no país, representando um aumento de 7% em relação ao ano anterior. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que apenas 8,5% dos estupros no Brasil são reportados às autoridades, sugerindo a existência de um número muito maior de casos do que os registrados.
Segundo especialistas, a maioria desses crimes ocorre dentro do ambiente familiar, muitas vezes envolvendo parentes das vítimas. É necessário que haja uma mudança cultural para combater essas violências, além de um maior engajamento do poder público. O juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza destaca que a falta de testemunhas e de evidências físicas dificulta a investigação e punição dos agressores.
O silêncio que envolve esses crimes é um grande obstáculo para sua denúncia e combate, sendo muitas vezes motivado pelo preconceito e tabus existentes na sociedade. A promotora de Justiça Camila Costa Britto ressalta a importância de se reconhecer as crianças como seres humanos detentores de direitos, e não como propriedades.
A violência sexual ocorre em todos os estratos sociais, mas alguns fatores como a vulnerabilidade socioeconômica e as discriminações contribuem para tornar certas pessoas mais suscetíveis. A assistente social Gezyka Silveira destaca que as meninas negras são as mais vulneráveis a esse tipo de violência, como demonstrado pelos dados do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Diante desse cenário preocupante, é fundamental que a sociedade e as autoridades se mobilizem para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, garantindo a proteção e o respeito aos seus direitos fundamentais. A conscientização e ações concretas são essenciais para garantir um ambiente seguro e acolhedor para as futuras gerações.