Mulher é compensada com R$ 50 mil em indenização por procedimento de laqueadura realizado sem consentimento.

Uma moradora de Juiz de Fora (a 270 quilômetros de Belo Horizonte) recebeu R$ 50 mil de indenização por ter sido submetida a uma laqueadura sem autorização em hospital no interior do Rio de Janeiro.
A decisão pelo pagamento da indenização foi tomada pela 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que manteve a sentença da Comarca de Juiz de Fora. A moradora, Sarah da Cunha Pinto, de 32 anos, afirmou à reportagem que tentou reverter o procedimento, mas não obteve sucesso.
Segundo Sarah, ela está em um novo relacionamento e desejava ter um filho com seu marido. No entanto, ao buscar exames que identificassem a possibilidade de reversão na laqueadura em um hospital de Juiz de Fora, foi informada de que não poderia mais engravidar. “É algo que não tem preço. Não vou poder mais engravidar e terei que carregar eternamente isso comigo”, lamentou.
A laqueadura ocorreu em junho de 2012, quando Sarah tinha 21 anos, durante uma cesariana no hospital da Fundação Educacional Dom André Arcoverde em Valença (RJ). Ela só descobriu que havia sido submetida ao procedimento quando fez uma ultrassonografia, quatro anos depois. A ação que resultou na indenização foi impetrada em 2018.
No processo, o hospital alegou que durante a cesárea foi identificada a existência de múltiplas aderências nos ovários e trompas ao intestino, o que poderia bloquear parcial ou totalmente o órgão. No entanto, o juiz de primeira instância, Sergio Murilo Pacelli, considerou que a paciente não recebeu a devida explicação sobre o procedimento, posição que também foi mantida na decisão em segunda instância.
O advogado de Sarah, Carlos Magno Biagi, afirmou que o valor pago pelo hospital como indenização foi exatamente o solicitado. Ele classificou a atitude do hospital como “deplorável” e enfatizou que a paciente deveria ter sido comunicada sobre o procedimento antes que fosse realizado. “A mulher é dona do seu futuro. Ninguém além dela pode decidir se vai ter ou não outros filhos”, pontuou.
A reportagem entrou em contato com o hospital, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.