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Trajetória de Kaja Kallas: da Estônia à diplomacia europeia em meio à tensão com a Rússia




Artigo Jornalístico

A nomeação de Kaja Kallas, 47 anos, para liderar a diplomacia e a política de segurança da União Europeia pelos próximos cinco anos foi resultado de sua atuação decisiva após a invasão da Rússia à Ucrânia em fevereiro de 2022.

Em um emblemático discurso no Parlamento Europeu em 9 de março daquele ano, Kallas, então primeira-ministra da Estônia, vestida de amarelo e com uma fita com as cores da bandeira ucraniana, destacou sua experiência histórica com as iniciativas imperialistas de Moscou e defendeu uma postura firme do bloco diante do agressor, Vladimir Putin.

“Nós, estonianos, temos experiência com a Rússia, a qual temos tentado compartilhar com a UE desde a adesão [em 2004]. Faz 78 anos que o Exército Vermelho bombardeou a minha cidade natal, Tallinn [capital da Estônia]”, afirmou Kallas na ocasião.

O impacto de suas palavras a fez ser conhecida como a “nova dama de ferro”, em referência à icônica primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Sua visão ganhou apoio de líderes europeus e a colocou como uma forte candidata para assumir a liderança da Otan. Durante seu governo, a Estônia foi o país que mais destinou recursos para a Ucrânia, com 1,64% do PIB.

A trajetória de Kallas, filha de Siim Kallas, ex-primeiro-ministro e integrante da Comissão Europeia, revela sua familiaridade com a política internacional desde o nascimento. Sua abordagem firme em relação à Rússia e seu compromisso com a defesa europeia a destacam como uma escolha estratégica para liderar a UE nesse momento delicado.

Sua posse como Alto Representante da UE para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, com status de vice-presidente da Comissão Europeia, representa uma mudança significativa nas relações do bloco com Moscou. Especialistas destacam que Kallas trará uma abordagem mais assertiva e voltada para a segurança, em contraste com seu antecessor Josep Borrell.

Para Kallas, a defesa da integridade territorial e a punição às agressões são fundamentais para manter a paz no continente. Ela também defende a emissão de eurobonds para fortalecer a indústria de defesa da UE, apesar das resistências de alguns países membros, como a Alemanha.

Além de seu histórico político, Kallas enfrentou desafios pessoais, como um escândalo envolvendo seu marido e negócios com a Rússia após a invasão da Ucrânia. Sua postura no cenário internacional desperta curiosidade sobre suas visões em relação a outros temas sensíveis, como o conflito Israel-Hamas e as relações da UE com outras regiões do mundo.

A escolha de Kallas reflete as mudanças na política externa europeia e a urgência em lidar com as ameaças vindas de Moscou. Sua nomeação é um sinal claro de que a UE está disposta a enfrentar desafios complexos com determinação e coerência.


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