
China e a Pesca Global: A Questão da Bandeira
Esta reportagem foi produzida pelo The Outlaw Ocean Project, uma organização jornalística sem fins lucrativos de Washington. A apuração e a escrita contam com contribuições Maya Martin, Jake Conley, Joe Galvin, Susan Ryan, Austin Brush, Teresa Tomassoni e Bellingcat.
Em 14 de março de 2016, a Guarda Costeira da Argentina detectou um navio da China pescando ilegalmente em suas águas. Quando a embarcação, chamada Lu Yan Yuan Yu 10, tentou colidir com o barco da Guarda Costeira, os argentinos abriram fogo contra ela, que logo afundou.
O Lu Yan Yuan Yu 10 foi um dos 11 navios chineses de pesca de lula que a Marinha argentina perseguiu por suspeita de pesca ilegal desde 2010, de acordo com o governo.
Em 2017, no entanto, o Conselho de Pesca da Argentina anunciou que concederia licenças de pesca a dois navios da mesma proprietária da embarcação perseguida pela Marinha argentina no ano anterior, uma operadora chinesa. Essas embarcações navegariam sob a bandeira argentina por meio de uma empresa local de fachada.
A decisão parecia violar os regulamentos argentinos, que não apenas proíbem navios de propriedade estrangeira de hastear a bandeira argentina e pescar em suas águas, mas também a concessão de licenças a operadores com registros de pesca ilegal.
Mas essa contradição é cada vez mais comum em todo o mundo.
No mês seguinte, a chanceler argentina se encontrou com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim. Após a reunião, Wang saudou a “viagem de cooperação” entre os países e prometeu investimento adicional à Argentina.
A presença cada vez mais ostensiva de Pequim em outros países alimenta preocupações sobre soberania pelo mundo. “A China está monopolizando os mercados ao tomar o lugar de empresas locais ou comprá-las”, disse Alfonso Miranda Eyzaguirre, ex-ministro de Produção do Peru.
Pablo Isasa, capitão de um barco de pesca argentino, acrescentou: “O inimigo está dentro e fora”.