Possíveis irregularidades em licenças urbanas e ambientais no RJ: questionamentos da Justiça, legisladores e sociedade civil contra liberações da Prefeitura.

Obras irregulares no Rio de Janeiro geram questionamentos
Recentemente, diversas licenças legais ambientais e urbanas para a realização de obras no Rio de Janeiro têm sido alvo de questionamentos por parte da Justiça, integrantes do poder legislativo e instituições da sociedade civil. As liberações, emitidas pela Prefeitura através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico, estão sendo observadas em diversas regiões da cidade.
Antes das licenças ambientais passarem a ser competência da Smdeis, eram de responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Entre os licenciamentos supostamente ilegais estão envolvidos três hospitais, dois em Botafogo e um no Humaitá; um edifício na Urca; um grupamento residencial no Horto; construção de guarderia nas areias da Praia do Pepê, na Barra, entre outros.
Outros casos emblemáticos incluem a instalação de tirolesas nos morros da Urca e do Pão de Açúcar, o aterramento de parte da Lagoa de Jacarepaguá para a construção de um empreendimento residencial, a construção de galpões logísticos na Avenida Salvador Allende, e a construção do Anel Viário de Campo Grande, todos sem Estudo de Impacto Ambiental.
A vereadora Luciana Boiteux (Psol) entrou com uma representação junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para apontar possíveis ilegalidades na fiscalização e no licenciamento urbano e ambiental na cidade. Ela também solicitou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), porém, esta não ocorreu devido à falta do número necessário de assinaturas dos vereadores da Câmara.
Luciana Boiteux destaca que é fundamental investigar o processo de licenciamento, identificando as origens das ilegalidades e responsabilizando as autoridades políticas envolvidas. Alguns dos processos mencionados na representação já foram questionados na Justiça, inclusive com ações do Ministério Público Federal.
Por outro lado, a Prefeitura defende a integração dos licenciamentos ambiental e urbanístico como um avanço para a cidade, garantindo mais sustentabilidade e eficiência na fiscalização. O corpo técnico responsável pela análise dos processos permanece o mesmo, baseado nas mesmas obrigações legais.
Os diversos casos citados revelam uma preocupação crescente com as obras irregulares no Rio de Janeiro, envolvendo questões como gabarito de imóveis, áreas de proteção ambiental, e desrespeito a normas constitucionais e municipais. A população e diversas entidades têm se mobilizado em defesa do cumprimento das leis e do respeito ao meio ambiente.
Diante de tantas polêmicas, a cidade do Rio de Janeiro está em meio a um intenso debate sobre a sustentabilidade de seus empreendimentos e o respeito às normas ambientais e urbanas.