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STF Investiga Emenda Parlamentar Destinada a Filme sobre Bolsonaro

STF Investiga Emenda Parlamentar Destinada a Filme sobre Bolsonaro

14 de maio de 2026

Autores:

Alex Rodrigues - Reporter da Agencia Brasil


Oficiais de Justiça Tentam Intimar Mário Frias sobre Emendas Parlamentares em Filme sobre Bolsonaro

Há mais de um mês, oficiais de Justiça estão tentando cumprir uma ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino concedeu um prazo de cinco dias para que Frias respondesse à denúncia da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa o parlamentar de direcionar pelo menos R$ 2 milhões à organização não governamental Academia Nacional de Cultura (ANC), liderada pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Karina Ferreira não apenas preside a ANC, mas também está à frente de outras organizações, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em setembro, às vésperas do primeiro turno das eleições.

De acordo com os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça designada para intimar Frias compareceu ao seu gabinete, na Câmara dos Deputados em Brasília, em pelo menos três ocasiões entre março e abril. Em todas elas, foi informada por assessores que o deputado estava em São Paulo, comprometido com campanhas eleitorais, e que não houve interesse em fornecer informações sobre sua agenda.

Emendas e Denúncias

A denúncia de Tabata Amaral teve origem em uma reportagem do site "The Intercept Brasil", publicada em dezembro de 2025, que revelou que a ANC recebeu R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares de deputados federais do Partido Liberal (PL), do qual o ex-presidente Bolsonaro faz parte. Além de Frias, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também foram citados no caso.

A partir dessa investigação, Tabata levantou a hipótese de uma rede econômica envolvendo diferentes entidades e empresas sob um comando unificado, sugerindo que tal estrutura poderia dificultar a rastreabilidade do uso de recursos públicos, além de estar financiando produções cinematográficas com viés ideológico.

Enquanto Bia Kicis e Marcos Pollon já apresentaram suas respostas ao STF, Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para que, através da Go Up Entertainment, fosse realizada uma série documental chamada "Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem". Entretanto, ele alegou que, devido à incapacidade da entidade beneficiária, os recursos foram redirecionados para a saúde, especificamente ao Hospital de Amor de Barretos (SP).

Pollon argumenta que "a inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade na aplicação de recursos públicos".

Respostas e Controvérsias

Bia Kicis também admitiu ter alocado R$ 150 mil para a série "Heróis Nacionais", mas defende que sua emenda não tem qualquer relação com o filme "Dark Horse". Ela considerou a denúncia de Tabata como maldosa e destacou que não existe conexão entre sua alocação de recursos e supostas irregularidades.

"A tentativa de amalgamar projetos distintos só pelo fato de estarem ligados a uma mesma produtora e temas de espectro conservador é um erro metodológico e jurídico grave", declarou Kicis.

Provocada por Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados concluiu que, sob a perspectiva processual, não foram encontradas irregularidades nas emendas atribuídas a Mário Frias.

Novas Revelações

Na quarta-feira (13), uma nova reportagem do "The Intercept Brasil" trouxe à tona que o senador Flávio Bolsonaro solicitou a Vorcaro, banqueiro, a destinação de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse". Desse total, Vorcaro liberou pelo menos R$ 61 milhões. Em áudios divulgados, Flávio expressou preocupação com a urgência dos recursos para honrar compromissos financeiros do projeto.

Defesas de Mário Frias

Mário Frias, que atuou como roteirista e produtor executivo do filme, nega que Flávio Bolsonaro tenha qualquer participação societária na produção ou na Go Up Entertainment, garantindo que a obra não recebeu "um único centavo" do Banco Master ou de Vorcaro. Ele argumenta que qualquer eventual recebimento de recursos do banqueiro seria uma relação válida entre partes privadas.

Frias, que foi secretário especial de Cultura durante a gestão de Jair Bolsonaro, destacou ainda que "Dark Horse" é uma superprodução de padrão hollywoodiano, mencionando o potencial do filme para gerar valor social e econômico, especialmente no setor educacional e na economia criativa.

“É fundamental que o STF analise o mérito social e econômico do projeto beneficiado”, concluiu o deputado, defendendo sua iniciativa de fomentar a cultura nacional.

Com essa série de desdobramentos, a situação se torna cada vez mais complexa, à medida que as investigações avançam e a pressão sobre os envolvidos aumenta.



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