O Supremo Tribunal Federal (STF) está buscando intimar o deputado federal Mário Frias, do PL de São Paulo, a esclarecer supostas irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mário Frias atua como produtor executivo da obra.
A denúncia, recebida pelo ministro Flávio Dino, aponta que R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares foram alocados em favor de uma ONG liderada por Karina Gama, responsável pela produção do filme. Tentativas de notificação do deputado por parte de oficiais de Justiça ocorreram em três ocasiões, todas sem sucesso. Até o fechamento desta edição, a Agência Brasil não obteve retorno de Mário Frias.
Por sua vez, os produtores do filme negam que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha doado recursos para a realização do projeto.
Um áudio divulgado pelo site Intercept Brasil revela o senador Flávio Bolsonaro cobrando de Daniel Vorcaro um repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção do filme. De acordo com a reportagem, Vorcaro teria enviado R$ 61 milhões em parcelas entre fevereiro e maio de 2025, destinadas a Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência da República.
O senador admitiu ter solicitado os repasses, justificando que existia um contrato relacionado à produção do filme. Flávio Bolsonaro ressaltou que se tratava de um patrocínio privado, sem a promessa de vantagens em troca.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, já não havia mais governo Bolsonaro e não existiam acusações contra ele. Com o tempo, Vorcaro parou de cumprir o contrato, o que colocou em risco a conclusão do filme. Por isso, buscamos novos investidores”, declarou Flávio Bolsonaro.
Nesta quarta-feira, Mário Frias reafirmou a ausência de repasses de Vorcaro para o filme e destacou que Flávio Bolsonaro não possui participação na produção, tendo apenas cedido os direitos de imagem da família.
A Go Up Entertainment, produtora norte-americana do longa, declarou que não recebeu nenhum valor de Daniel Vorcaro e não pode revelar a identidade dos investidores envolvidos, citando cláusulas de confidencialidade.
A reportagem do Intercept indica que os pagamentos de Vorcaro podem ter sido direcionados a um fundo gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra em fuga nos Estados Unidos após abertura de investigação pelo STF.
O STF autorizou a quebra do sigilo de Daniel Vorcaro, que está sob investigação pela Polícia Federal no contexto de um inquérito que apura a suposta fraude de R$ 17 bilhões no Banco Master. Atualmente, Vorcaro encontra-se preso em Brasília e está em negociações para uma delação premiada.
Até o momento, as defesas de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro não retornaram os pedidos de contato da reportagem.
