Ministério Público do Peru Pede Prisão de Candidato de Esquerda Após Avanço ao Segundo Turno Presidencial
O Ministério Público do Peru protocolou, nesta quarta-feira (13), um pedido de mais de cinco anos de prisão para o candidato presidencial Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru. A ação ocorre no mesmo dia em que Sánchez garantiu sua vaga no segundo turno das eleições, programado para junho, ao vencer o direitista Rafael López Aliaga por uma margem apertada.
A acusação alega que Sánchez omitiu informações sobre contribuições recebidas por seu partido durante campanhas eleitorais entre 2018 e 2020, apontando inconsistências nos relatórios financeiros apresentados às autoridades eleitorais. O Ministério Público pede especificamente uma pena de cinco anos e quatro meses para o candidato, ressaltando que mais de US$ 57 mil (cerca de R$ 286,5 mil) em doações partidárias não foram declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais.
O caso chegou ao sistema judiciário em janeiro deste ano, mas parte da denúncia foi rejeitada pelos magistrados, que exigiram reformulação da acusação antes de uma nova apreciação. A audiência que determinará a continuidade do processo ou seu arquivamento está marcada para o dia 27 de maio.
Em resposta, Sánchez negou as acusações e declarou em suas redes sociais que é alvo de perseguição política. "Tentaram criar uma mentira para me desacreditar. A Justiça já arquivou as acusações sobre um suposto uso pessoal de recursos do partido, pois não houve fraude," afirmou.
A disputa pela segunda colocação foi acirrada, com os números finais mostrando Sánchez com 12% e López Aliaga com 11,9%, em meio a atrasos na apuração devido a denúncias de irregularidades na votação de 12 de abril. A conservadora Keiko Fujimori liderou o primeiro turno com 17,1% dos votos válidos, com 99,94% das urnas apuradas.
Esse desenvolvimento ressalta não apenas a turbulência política no Peru, mas também a fragilidade do sistema eleitoral em um momento decisivo para o país. A situação continua a alertar os observadores internacionais para a necessidade de garantir a integridade das eleições peruanas.
