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"Polarização no Brasil: Uma Análise Profunda no Jornal da USP"

"Polarização no Brasil: Uma Análise Profunda no Jornal da USP"

6 de maio de 2025

Autores:

Redação


Por Gaudêncio Torquato: Uma Análise da Polarização na Política Brasileira

O conceito de polarização se tornou uma constante na narrativa política brasileira, especialmente desde 2018, quando Jair Bolsonaro, então um ex-capitão do Exército, foi eleito com 55,13% dos votos contra os 44,87% de Fernando Haddad, do PT. Esse fenômeno foi utilizado para entender a vitória de Bolsonaro, e novamente, na reeleição de Lula em 2022.

A polarização se consolidou ao longo dos anos 1990, no rescaldo da redemocratização, quando o PT se posicionava como o defensor dos ideais socialistas frente ao PSDB, que buscava implementar a social-democracia. As divergências entre esses partidos se refletiam nas políticas propostas, embora ambos compartilhavam algumas semelhanças em seus objetivos.

Os partidos socialistas tradicionalmente promovem a igualdade social e a intervenção do Estado na economia, enquanto os social-democratas priorizam reformas gradativas dentro de um Estado de Direito. No entanto, essa, por sua vez, já é uma narrativa desatualizada. O PSDB se enfraqueceu ao longo do tempo e, na tentativa de renovação, atualmente se funde ao Podemos (Podemos) para formar uma nova Federação, com aspirações de ocupar o espaço da centro-direita.

Neste contexto, tanto os tucanos quanto o PT deslocam-se em direção ao centro do espectro político. O PT mantém uma base significativa de apoio, mas sua ideologia se dilui em meio a alianças com partidos sem um norte claro, como o Centrão. O partido modificou sua imagem, abandonando discursos mais radicais em prol de uma narrativa menos polarizadora.

Já o PSB, símbolo das aspirações sociais, perdeu sua essência à medida que se distancia de propostas ideológicas. Contudo, a polarização, como frequentemente anunciada, parece enfraquecida diante do que vemos atualmente: um PT centrista, um PSDB em declínio e partidos sem ideologia clara, como o PL de Valdemar da Costa Neto, que no fundo busca apenas derrotar Lula nas próximas eleições.

A polarização política, segundo a ciência política, é mais típica de sistemas bipartidários, como o dos Estados Unidos. No Brasil, no entanto, a realidade se mostra distinta: temos 29 partidos registrados no TSE, mas poucos promovem um debate ideológico profundo, salvo as exceções mais extremadas.

Se a polarização ideológica é frágil, o mesmo não se pode dizer das tensões sociais, que emergem entre uma ala que se diz liberal e outra que defende valores conservadores. As pesquisas indicam que ambas as correntes representam cerca de 30% do eleitorado, restando 70% em um espaço residual.

Diante disso, é pertinente questionar a real intensidade da polarização em nosso país. A afirmativa comum de que vivemos um cenário de forte polarização, sustentada por bolsonaristas e petistas, merece reavaliação.


As opiniões expressas neste artigo são de total responsabilidade do autor e não refletem necessariamente as posições do Jornal da USP ou da Universidade de São Paulo.



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