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Pesquisadora da USP é agraciada com o World Food Prize, o Nobel da Agricultura – Jornal da USP

Pesquisadora da USP é agraciada com o World Food Prize, o Nobel da Agricultura – Jornal da USP

16 de maio de 2025

Autores:

Redação


Mariangela Hungria: Pioneira em Microbiologia do Solo é Reconhecida com Prestigiado Prêmio Mundial de Alimentação

A renomada pesquisadora Mariangela Hungria, graduada e mestre pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, foi laureada com o Prêmio Mundial de Alimentação, considerado o "Nobel" da agricultura. O anúncio oficial ocorreu em 13 de maio, na sede da Fundação World Food Prize, nos Estados Unidos. Esse prêmio é concedido anualmente a personalidades que têm contribuído significativamente para a melhoria da qualidade e a disponibilidade de alimentos globalmente.

Com uma carreira de mais de 40 anos na pesquisa, Mariangela se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias inovadoras em microbiologia do solo, especialmente na utilização de produtos biológicos na agricultura. Ela é pesquisadora da Embrapa e membro da Academia Brasileira de Ciências. Suas descobertas, segundo a fundação, foram fundamentais para posicionar o Brasil como uma potência agrícola.

“Minha vida tem sido dedicada a substituir produtos químicos por biológicos na agricultura. Estou orgulhosa de contribuir para a produção de alimentos enquanto diminuo o impacto ambiental”, afirmou Mariangela em um comunicado sobre a premiação. Para ela, essa conquista não representa apenas um reconhecimento pessoal, mas também um estímulo à ciência feita no Brasil e um incentivo para outras mulheres na pesquisa. “Muitas pessoas duvidaram de mim ao longo da minha trajetória, mas mantive minha crença e persevere. Espero que minha vitória inspire outros a seguir suas paixões na ciência.”

A pesquisadora, inspirada por Johanna Döbereiner, uma referência em fixação biológica de nitrogênio, tem promovido a associação benéfica entre plantas e bactérias do solo para aumentar a produtividade agrícola. Suas tecnologias, utilizadas em mais de 40 milhões de hectares no Brasil, têm estimativas de economia de até US$ 25 bilhões por ano para os agricultores, além de evitarem mais de 230 milhões de toneladas de emissões de CO2 anualmente.

Desde 1982, quando começou sua trajetória na Embrapa Agrobiologia, Mariangela tem se dedicado a pesquisas que visam elevar a qualidade e produção de alimentos através da substituição de fertilizantes químicos por microrganismos benéficos. Suas contribuições também se estendem a diversas culturas, como feijão, milho e trigo. Em 2020, foi reconhecida como uma das 100 mil cientistas mais influentes do mundo pela Universidade de Stanford.

Mariangela é a primeira mulher brasileira a receber o Prêmio Mundial de Alimentação, somando-se a uma lista que inclui agrônomos brasileiros laureados em 2006 e ex-presidentes em 2011. Com a premiação, ela receberá US$ 500 mil e uma escultura do renomado artista Saul Bass. A cerimônia de entrega está marcada para 23 de outubro, em Des Moines, Iowa.

A governadora do estado de Iowa, Kim Reynolds, destacou a importância do exemplo de Mariangela para mulheres em ciência. “A dra. Hungria é uma inspiração para aquelas que buscam equilibrar pesquisa e maternidade, evidenciando como suas descobertas transformaram o Brasil em um celeiro global”, afirmou.

Segundo Gebisa Ejeta, presidente do comitê de seleção dos indicados ao prêmio, Mariangela foi escolhida por suas realizações extraordinárias que revolucionaram a sustentabilidade agrícola na América do Sul, garantindo reconhecimento tanto no Brasil quanto internacionalmente.

Para mais informações sobre o Prêmio Mundial de Alimentação, acesse este link.

Texto: Assessoria de Imprensa da Academia Brasileira de Ciências



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