Apenas João XXIII Superou Francisco em Popularidade, Afirma Marília Fiorillo
Na mais recente edição de sua coluna, a professora Marília Fiorillo presta uma homenagem ao papa Francisco, cuja morte gerou uma onda de luto em todo o mundo. Em seu texto, ela observa que a comoção transcendeu as fronteiras da fé, atingindo tanto devotos quanto aqueles que, à primeira vista, podem não compartilhar da mesma crença. “A morte do papa Francisco representou o luto por um verdadeiro cristão, um líder que se preocupava profundamente com questões como a injustiça social, a segregação dos imigrantes, a violência na Palestina e o conflito na Ucrânia”, destaca Fiorillo.
A colunista aponta que, em termos de popularidade, apenas João XXIII, o papa italiano Angelo Giuseppe Roncalli, superou Francisco, e isso por razões igualmente fundamentadas em sua preocupação social. Fiorillo salienta que ambos os papas são conhecidos por sua abordagem reformista e por se distanciar da pompa do cargo e das intrigas da Cúria. “Tanto Bergoglio quanto Roncalli não se deixaram seduzir pelo glamour do poder que a Igreja Católica representa, um titã de 2000 anos que detém uma influência inabalável no mundo”, explica.
Com um toque de humor, a colunista refere-se ao ensaio de Hannah Arendt, publicado em Homens em Tempos Sombrios, no qual a filósofa analisa os diários espirituais de João XXIII. Arendt descreve esses diários como um guia prático sobre como fazer o bem e evitar o mal, destacando a simplicidade e profundidade do ensinamento de Roncalli.
Fiorillo ilustra sua análise com anedotas sobre o carisma de João XXIII. Uma delas relata um episódio envolvendo um grupo de encanadores que trabalhava no Vaticano, onde um deles, temperamental, xingava usando nomes da Sagrada Família. Roncalli, em vez de se ofender, abordou o encanador com uma pergunta perspicaz: “Você precisa realmente fazer isso? Não poderia apenas dizer ‘merda’, como nós?”
Em outro momento, a colunista destaca a audácia de João XXIII durante uma audiência com Pio XII, em 1944. O papa estava apressado e informou que só teria sete minutos disponíveis. Sem se intimidadar, Roncalli respondeu: “Nesse caso, os seis minutos restantes são supérfluos”. João XXIII, figura que desprezava convenções farisaicas, costumava responder a tentativas de censura com ironia.
Uma das histórias mais memoráveis aconteceu durante um banquete do corpo diplomático, quando um convidado passou a ele uma foto de uma mulher nua, em uma clara tentativa de constrangê-lo. Roncalli, sem hesitar, comentou com polidez: “Ah, é a senhora N, suponho”. Este traço de caráter – a capacidade de rir e lidar com desafios com graça – é algo que Fiorillo também observa no papa Francisco, que, como seu antecessor, é visto como um líder bom e acessível.
Em sua conclusão, Marília Fiorillo ressalta a importância desses papas em um mundo que frequentemente exige calor humano e compaixão, traçando um paralelo entre as legados de ambos.
