Lula comenta caso de Flávio Bolsonaro relacionado a fraudes financeiras
Durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados da Fafen, em Camaçari, na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre as ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes financeiras. A declaração do presidente ocorreu ao ser questionado por uma jornalista e gerou repercussão nas redes sociais.
"Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia," afirmou Lula, em um tom de descontração enquanto abordava questões institucionais.
O escândalo que envolve Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Palácio do Planalto, foi revelado em uma reportagem do portal The Intercept Brasil. Segundo a publicação, o senador estaria articulando repasses que somam R$ 134 milhões do banqueiro para financiar um filme sobre a trajetória política de seu pai, que governou o Brasil de 2019 a 2022.
Daniel Vorcaro, que atualmente enfrenta acusações de liderar uma organização criminosa por meio do Banco Master—instituição cujo colapso financeiro foi decretado pelo Banco Central no final do ano passado—está investigado por fraudes que afetaram clientes do banco.
A reportagem do Intercept divulgou um áudio de Flávio mencionando a importância do filme e a necessidade de repasses financeiros para compensar “parcelas para trás”. Além disso, mensagens de WhatsApp vazadas e documentos bancários indicam que parte dos valores foi transferida entre fevereiro e maio de 2025.
Prisão de Vorcaro e repercussões
As últimas comunicações entre Flávio e Vorcaro ocorreram em novembro do ano passado, momento crítico para ambas as figuras, sendo que a liquidação do Banco Master e a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal aconteceram pouco depois. Atualmente, Vorcaro permanece detido na Superintendência da PF e está em negociações para um acordo de delação premiada.
Ainda conforme a reportagem, o filme em questão está sendo produzido por uma produtora no exterior e deve contar com atores e equipes internacionais. As transferências que sustentariam o projeto envolvem uma empresa controlada por Vorcaro, que operaria com um fundo nos Estados Unidos, gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Por sua vez, deputados federais da base governista acionaram a PF e a Receita Federal para investigar possíveis irregularidades relacionadas às transações.
Flávio Bolsonaro responde
Em resposta à reportagem, Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou qualquer irregularidade, admitiu ter feito o pedido de recursos e mantido contato com Vorcaro, enfatizando tratar-se de uma relação privada. “É preciso separar os inocentes dos bandidos. O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de lei Rouanet," explicou.
Ele também declarou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e que o recontato se deu por conta de atrasos no pagamento das parcelas do patrocínio. Flávio negou que tenha prometido qualquer vantagem em troca do apoio financeiro, pedindo uma investigação sobre as “relações espúrias do governo Lula” com Vorcaro, além de sugerir a formação de uma CPI para investigar o caso.
Após suas declarações, um vídeo reforçando suas alegações circulou nas redes sociais, onde ele reafirmou que Vorcaro havia interrompido os pagamentos contratados, embora não tenha detalhado as condições do suposto contrato.
A sociedade aguarda desdobramentos dessa situação, que lança luz sobre as complexas relações entre política, finanças e denúncias de corrupção no Brasil.
