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Itaipu: Energia Solar Pode Aumentar Capacidade da Usina em Até 100%

Itaipu: Energia Solar Pode Aumentar Capacidade da Usina em Até 100%

21 de abril de 2026

Autores:

Pedro Rafael Vilela* - Repórter da Agência Brasil


Itaipu: Novas Fronteiras na Geração de Energia Sustentável

A usina hidrelétrica de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, abriga um reservatório com uma vasta área de aproximadamente 1.300 km². A extensão do lago, que se estende por quase 170 km, possui uma largura média de 7 km.

Recentemente, a capacidade do Rio Paraná, que gera até 14 mil megawatts (MW) através de suas turbinas, recebeu um novo impulso com a instalação de painéis solares flutuantes. Este projeto inovador, resultado de uma colaboração entre técnicos brasileiros e paraguaios, busca explorar a geração de energia em sinergia com a hidroelectricidade.

Com um total de 1.584 painéis fotovoltaicos distribuídos em uma área abaixo de 10 mil m², a planta solar de Itaipu possui uma capacidade de 1 MWp, capaz de atender ao consumo de aproximadamente 650 residências. Esse excedente não é vendido, mas utilizado integralmente para o consumo interno da usina.

Os principais objetivos deste projeto-piloto são a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias aplicáveis ao setor energético. Engenheiros estão minuciosamente analisando como as placas solares interagem com o ecossistema local, incluindo impactos na fauna aquática e temperatura da água.

Mais adiante, a proposta é expandir essa tecnologia, o que exigir ajustes no Tratado de Itaipu, ratificado em 1973 e que viabilizou a construção dessa gigante de engenharia.

"O levantamento indica que, teoricamente, cobrir apenas 10% do reservatório com painéis solares poderia gerar o mesmo que uma nova usina de Itaipu. Apesar dos desafios, o potencial é promissor”, afirma Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional.

Previsões apontam que, para atingir uma capacidade solar de 3.000 MW, seriam necessários pelo menos quatro anos e um investimento estimado em US$ 854,5 mil, cerca de R$ 4,3 milhões. As obras estão sendo executadas por um consórcio formado pelas empresas brasileiras Sunlution e paraguaia Luxacril.

Diversificação Energética: O Futuro em Hens é Verde

A busca por fontes diversificadas de energia na Itaipu Binacional não se limita à energia solar. Iniciativas arrojadas também estão em desenvolvimento no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação estabelecido em Foz do Iguaçu. Este local promove uma parceria entre universidades, instituições públicas e empresas privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diversas áreas.

Entre as pesquisas em andamento, destaca-se o projeto de hidrogênio verde, obtido por meio da eletrólise da água, um processo que visa a produção sustentável, sem emissões de gás carbônico. Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec, ressalta a importância do espaço como plataforma para as indústrias nacionais, permitindo testes e validações de projetos, incluindo veículos movidos a hidrogênio.

Outro projeto inovador foi apresentado na COP30, em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, desenvolvido no Parquetec, começou a operar na coleta seletiva em comunidades ribeirinhas.

Energia Limpa e Sustentável: Biogás em Foco

A Itaipu continua a inovar, agora apostando na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos produzidos em seus restaurantes e na fiscalização de fronteira pela Polícia Rodoviária Federal. Este resíduos, ao invés de ser descartados, são transformados em biogás e biometano.

A Unidade de Demonstração de Biocombustíveis, recentemente reinaugurada, é uma iniciativa do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e utiliza a biodigestão para gerar combustível limpo, capaz de abastecer veículos da usina. Em nove anos de operação, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, resultando em biometano suficiente para percorrer 480 mil quilômetros.

Além disso, a planta está também experimentando o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado para a produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel).

“Nos próximos dez anos, veremos um avanço significativo em combustíveis avançados como o hidrogênio e o SAF”, destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás, refletindo sobre a tendência crescente por soluções energéticas sustentáveis.

Esta matéria foi produzida pela Agência Brasil, a convite da Itaipu Binacional.



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