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Impacto do Consumo Excessivo de Frutose de Alimentos Ultra-Processados na Saúde: Efeitos no Intestino, Fígado e Níveis de Glicose – Jornal da USP

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Impacto do Consumo Excessivo de Frutose de Alimentos Ultra-Processados na Saúde: Efeitos no Intestino, Fígado e Níveis de Glicose – Jornal da USP

27 de abril de 2025

Autores:

Redação


Frutose em Excesso: Uma Ameaça à Saúde Metabólica

Estudos recentes de pesquisadores da Université Laval, no Canadá, e do Instituto de Ciências Biomédicas da USP revelam que a ingestão excessiva de frutose, comum em dietas ricas em alimentos ultraprocessados, pode alterar o funcionamento do intestino e aumentar o risco de doenças como diabetes tipo 2 e doenças hepáticas, incluindo a esteatose hepática não alcoólica.

A pesquisa, publicada na revista Molecular Metabolism, destaca que, em ensaios com camundongos, uma dieta que continha 8,5% de frutose levou a mudanças significativas no metabolismo em um curto espaço de tempo. Após apenas três dias, os animais mostraram um aumento na capacidade do intestino em absorver glicose, antecipando o surgimento de intolerância à glicose. Com quatro semanas de estudo, a eficiência na remoção da glicose do sangue havia diminuído, culminando em acúmulo de gordura no fígado, o que pode evoluir para condições mais graves, como cirrose.

Os cientistas, liderados pelo professor Fernando Forato Anhê, observaram que, curiosamente, os camundongos não desenvolveram resistência à insulina em músculos ou tecido adiposo, indicando que as alterações iniciais na regulação glicêmica estavam ligadas a uma modificação no intestino, e não a um mau funcionamento da resposta à insulina periférica. A frutose excessiva aumentou os níveis circulantes de um hormônio chamado GLP-2, que estimula o crescimento da superfície intestinal e melhora a absorção de nutrientes. Ao bloquear o receptor deste hormônio em estudos, foi possível evitar a absorção excessiva de glicose e, consequentemente, o acúmulo de gordura no fígado.

Entretanto, bloqueá-lo em seres humanos é um desafio, visto que o GLP-2 também desempenha um papel fundamental na proteção da barreira intestinal contra infecções e inflamações. O professor Anhê sugere que, embora a absorção excessiva de glicose pelo intestino possa ser um marcador precoce de problemas glicêmicos, mais estudos são necessários. Uma nova fase da pesquisa focará na manipulação do microbioma intestinal para mitigar os efeitos nocivos da frutose.

Evangelista Silva, um dos autores do estudo, alerta que as conclusões se referem especificamente à frutose encontrada em alimentos ultraprocessados, e não àquela presente em frutas frescas, que são ricas em fibras e nutrientes benéficos à saúde intestinal e hepática.

A crescente presença de frutose em alimentos industrializados, como refrigerantes, sucos industrializados, cereais e bolachas recheadas, reforça a urgência em repensar nossos hábitos alimentares. Silva recomenda priorizar alimentos frescos, conforme orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a OPAS/Brasil.

Os efeitos adversos da dieta rica em açúcar, caracterizada pela pobreza nutricional e ausência de fibras nos ultraprocessados, demandam atenção urgente. Evitar esses produtos e focar na ingestão de alimentos naturais é fundamental para proteger a saúde a longo prazo.

Informações da Assessoria de Comunicação do ICB
Versão em inglês: Nexus Traduções, editada por Denis Pacheco



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