Em 6 de maio de 1954, Sir Roger Bannister quebrou um dos mais audaciosos limites do atletismo ao completar uma milha em menos de quatro minutos. A proeza reverberou globalmente, sendo celebrada não só por entusiastas do esporte, mas também comparada à primeira escalada do Monte Everest, realizada no ano anterior por Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay.
Quase sete décadas depois, em 26 de abril de 2026, o queniano Sabastian Sawe e o etíope Yomif Kejelcha protagonizaram um feito que ecoa a importância daquele momento histórico: ambos deslumbraram o mundo ao correrem os 42 quilômetros de uma maratona em menos de duas horas.
O Marco Histórico em Londres
Sawe superou o recorde mundial da maratona, ao completar a prova em 1 hora, 59 minutos e 30 segundos, um avanço impressionante de 65 segundos em relação ao recorde anterior. Em sua estreia na maratona, Kejelcha surpreendeu ao terminar em 1h59m41s, colocando-se também no histórico da corrida.
A velocidade foi fulminante: até o terceiro colocado, Jacob Kiplimo, do Uganda, quebrou o recorde anterior estabelecido em 2023, finalizando com 2h00m28s. Sawe acelerou durante a prova, completando a segunda metade em 59m01s e se distanciando de Kejelcha após os 30 quilômetros.
Em sua declaração, Sawe afirmou:
“Fiz história hoje em Londres e mostrei à próxima geração que nada é impossível. Tudo é possível, é só uma questão de tempo.”
Estrategicamente Preparados: Treinamento e Nutrição
Conforme reportado pela equipe de Sawe, o atleta treinou intensamente, atingindo até 240 quilômetros por semana e optou por uma alimentação estratégica, incluindo pão e mel antes da corrida. Este volume significativo de treinamento é um dos pilares que sustentam a possibilidade de completar uma maratona em menos de duas horas.
A nutrição durante a prova foi meticulosamente planejada, uma vez que a corrida de duas horas demanda uma ingestão adequada de carboidratos para garantir o desempenho. Segundo relatos, Sawe ingeriu uma bebida e gel de carboidratos antes da largada, mantendo uma média de 115 gramas de carboidratos por hora ao longo da corrida.
A Ciência Por Trás do Desempenho
Embora os dados fisiológicos de Sawe e Kejelcha permaneçam em sigilo, a capacidade de correr em alta velocidade está intimamente ligada a três fatores cruciais:
- Capacidade excepcional de absorver oxigênio
- Habilidade de manter essa capacidade durante longos períodos
- Economia de corrida, ou seja, uso eficiente de oxigênio em diferentes velocidades
Além disso, uma boa resistência é fundamental para preservar esses atributos ao longo da maratona.
Tecnologia a Favor dos Atletas
Ambos os corredores utilizaram o Adios Pro Evo 3, da Adidas, considerado o “supertênis” mais leve já fabricado, pesando menos de 100 gramas. Os supertênis, em geral, têm demonstrado potencial para melhorar a economia de corrida em cerca de 4% em comparação aos modelos tradicionais.
Combinando características como leveza, espuma elástica e estrutura rígida, o Adios Pro Evo 3 maximiza o desempenho, embora os retornos dos supertênis possam variar de atleta para atleta. A adaptação do corredor ao calçado é crucial para potencializar os benefícios.
Condições Ideais e Um Contexto Favorável
As condições climáticas também se mostraram favoráveis no evento em Londres, com temperaturas variando entre 13°C e 17°C, cenário ideal para a performance de resistência. Apenas alguns anos atrás, considerava-se improvável que uma maratona fosse completada em menos de duas horas.
A combinação de fisiologia excepcional, treinamento rigoroso, calçados de alta tecnologia, nutrição otimizada e condições climáticas ideais convergiu para criar um momento histórico no mundo das corridas.
