Relações Comerciais Brasil-China: O Agronegócio em Foco
Durante um seminário em Xangai, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, André de Paula, enfatizou a relevância da parceria entre Brasil e China no setor do agronegócio. "Fortalecemos o diálogo com as autoridades chinesas nos últimos anos, o que resultou na abertura de novos mercados e na melhoria dos protocolos que regulam nosso comércio", destacou ele.
O evento, que teve início no último domingo (17), se propôs a discutir oportunidades de negócios e a ampliação do intercâmbio agropecuário. André de Paula lembrou que esta missão é a primeira de sua gestão à frente do ministério e ressaltou a escolha da China, que se mantém como o principal parceiro comercial do Brasil. "A aproximação de importadores chineses com empresários brasileiros é fundamental para a criação de novas oportunidades de negócios", reiterou.
Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, reforçou os atributos distintivos da agropecuária brasileira. "O Brasil se destaca por oferecer qualidade, sustentabilidade e estabilidade no fornecimento, o que torna a parceria altamente benéfica para ambos", afirmou.
Laudemir Muller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), trouxe à tona a evolução das relações comerciais nas últimas duas décadas, com o fluxo bilateral crescendo de US$ 8 bilhões, em 2003, para aproximadamente US$ 170 bilhões no último ano. Ele também observou um aumento significativo nas exportações de proteínas animais, que saltaram de menos de 100 mil toneladas para cerca de 1,7 milhão de toneladas.
Mauro Galvão, embaixador do Brasil na China, destacou a importância da participação das empresas brasileiras selecionadas para dialogar diretamente com compradores familiarizados com o mercado local. Ele enfatizou que a colaboração entre os setores produtivos de ambos os países é crucial para expandir os canais de distribuição e fortalecer a presença dos produtos brasileiros.
Além disso, o diplomata mencionou o Ano Cultural Brasil-China, defendendo a construção de parcerias duradouras e a necessidade de promover o conhecimento mútuo. "É fundamental que as interações sejam mutuamente benéficas e sustentáveis", observou.
A diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio do Mapa, Ângela Perez, afirma que a diversificação da pauta exportadora é essencial para o fortalecimento das relações agroalimentares. "Estamos aqui para fomentar a confiança e abrir novas oportunidades, e o ministério continuará a investir nesse ambiente cooperativo", concluiu.
O seminário contou com a presença de empresas brasileiras de setores variados, incluindo produtos apícolas, água de coco, café e chocolates, evidenciando o potencial de diversificação da exportação nacional.
Entre 2023 e 2026, doze novos mercados na China foram abertos para produtos agropecuários brasileiros, refletindo o progresso nas negociações de saúde e fitossanidade entre os países.
Comércio Brasil–China
Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China totalizaram US$ 55,22 bilhões, consolidando o país asiático como o maior destino dos produtos do setor. O complexo soja liderou as exportações, com US$ 34,61 bilhões, seguido por carnes e produtos florestais.
O Brasil também importou US$ 1,59 bilhão em produtos agropecuários da China, destacando-se os produtos florestais e os têxteis. No geral, o comércio bilateral alcançou US$ 170,9 bilhões, com a China representando uma parte significativa das exportações e do superávit comercial brasileiro. A pauta exportadora continua centrada em commodities, reforçando a dinâmica comercial entre os dois gigantes econômicos.
