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Cientistas se preparam para investigar as “cápsulas do tempo” da Amazônia – Jornal da USP

Cientistas se preparam para investigar as “cápsulas do tempo” da Amazônia – Jornal da USP

26 de abril de 2025

Autores:

Redação


Pesquisadores Alcançam Profundidades Históricas na Amazônia, Apesar de Desafios Significativos

Em uma surpreendente reviravolta, as perfurações realizadas em Acre e na Ilha de Marajó atingiram profundidades idênticas de 923 e 924 metros, uma coincidência que, segundo os pesquisadores, não reflete os objetivos iniciais da equipe. O plano era perfurar até 2.000 metros em Acre e 1.200 metros na Ilha de Marajó, permitindo, assim, um mergulho de até 65 milhões de anos na história da floresta. No entanto, dificuldades técnicas e limitações orçamentárias impediram a concretização dessas metas ambiciosas.

Os sedimentos encontrados se mostraram em estado delicado, dificultando o trabalho e fazendo com que a sonda se prendessem em várias ocasiões. Isso exigiu a implementação de uma série de procedimentos para evitar o colapso das paredes do poço. Apesar dos esforços, a perfuração continuou até que se tornasse inviável, devido à falta de recursos, tempo limitado e o desgaste da equipe. Ao todo, foram mais de 280 dias de trabalho de campo: seis meses em Acre e três meses e meio na Ilha de Marajó, sob condições extremas, com duas equipes trabalhando em turnos de 12 horas.

“Isto foi intenso; desde o planejamento até a execução do trabalho, foi intenso”, resumiu Isaac Bezerra, pesquisador de pós-doutorado do IGc e gestor do TADP. Bezerra dedicou 220 dias no campo, coordenando as atividades nos dois locais. “No final do dia, a sensação é de sucesso, considerando o esforço despendido e o material que conseguimos recuperar.”

Apesar de não atingirem as profundidades desejadas, esses furos se tornaram os mais profundos já realizados na região amazônica. “Estamos aliviados e felizes com o que conseguimos alcançar”, afirmou Sherilyn Fritz, pesquisadora da Universidade de Nebraska e membro do comitê executivo do projeto. “Ultrapassamos o que qualquer outro grupo de pesquisa havia feito em termos de registros contínuos longos, e esses dados são sem precedentes. Embora ainda não saibamos quais histórias eles contarão, estamos otimistas de que essa pesquisa proporcionará saltos significativos no entendimento da história da Amazônia e do desenvolvimento deste magnífico ecossistema.”

A ideia inicial do TADP, concebido há cerca de dez anos, previa perfurações em cinco locais. No entanto, atrasos e complicações orçamentárias, exacerbadas pela pandemia de COVID-19, levaram os pesquisadores a selecionar apenas dois locais – um em cada extremidade da Bacia Amazônica. A perfuração em Acre, iniciada em junho de 2023, foi veiculada inicialmente pelo Jornal da USP.

O custo total do projeto foi de 4 milhões de dólares, financiados pelo Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP), em parceria com a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF), o Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, no Panamá, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A empresa responsável pela perfuração foi a Geosol, de Minas Gerais.

Além do Brasil e dos Estados Unidos, o projeto conta com a colaboração de pesquisadores de países como Panamá, Alemanha, Países Baixos, Suécia, França, Áustria, Islândia, Dinamarca, Canadá, Itália e Suíça. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail andreos@usp.br, com André Sawakuchi, do IGc USP.



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