O 1º Fórum Faixa de Fronteira, promovido pela Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha, reuniu cerca de 150 participantes em Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul. O encontro, que contou com prefeitos, vereadores e líderes empresariais, teve como objetivo principal angariar apoio para o projeto de lei 1455/22, de autoria do ex-senador Lasier Martins. Este projeto, que atualmente tramita na Comissão de Relações Exteriores do Senado, busca reduzir de 150 para 15 km as áreas com restrições a investimentos privados estrangeiros.
O senador Luís Carlos Heinze, relator do projeto, destacou a relevância dessa atualização normativa, que pode alavancar o desenvolvimento de cerca de 60% do estado gaúcho. “O Rio Grande do Sul é uma das unidades federativas mais impactadas pela legislação sobre Faixa de Fronteira. A restrição se estende a onze estados, abrangendo 17% do território nacional”, enfatizou Heinze. Ele ressaltou o interesse de investidores internacionais, especialmente nos setores mineral e industrial. “Esses investimentos podem alcançar centenas de milhões de dólares, gerar empregos e dinamizar a economia local. Trata-se de capital privado, que precisa de um ambiente favorável”, argumentou.
Atualmente, a legislação sobre a Faixa de Fronteira é considerada um entrave para o setor mineral, um dos grandes potenciais da região da Campanha. Cidades como Caçapava do Sul, Lavras do Sul, Candiota e Hulha Negra possuem jazidas ricas em recursos como fosfato, ouro e carvão. O presidente da Lavras do Sul Mineração, Paulo Serpa, afirmou que, se bem aproveitada, essa riqueza poderia traduzir-se em empregos, maior arrecadação de impostos e um futuro promissor para as comunidades locais.
O presidente da Federasul (Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul), Rodrigo Sousa Costa, enfatizou a necessidade de união das lideranças da Metade Sul gaúcha. “Estamos em um momento decisivo. A região precisa adotar medidas ousadas para retomar o crescimento econômico; caso contrário, enfrentaremos um declínio ainda mais severo do que o das últimas quatro décadas”, alertou. Sousa Costa criticou a atual infraestrutura, ressaltando que o único trecho rodoviário sem duplicação entre Buenos Aires e Fortaleza se encontra entre Uruguaiana e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Ao final do evento, o presidente da Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha, Eraldo Vasconcellos, leu uma carta aberta ao Senado, expressando o apoio das lideranças locais à aprovação do projeto de lei, reafirmando o compromisso da região com um futuro de desenvolvimento e investimento.
