Necessidade de aumentar oferta de cursos técnicos e promover a interação com o mercado é debatida na Câmara dos Deputados
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A vice-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Suely Menezes, destacou o descompasso entre a formação oferecida aos alunos e o que o mercado de trabalho exige. Esse descompasso resulta em um paradoxo: enquanto 28% dos jovens estão desempregados, 81% das empresas não conseguem preencher vagas que exigem qualificação técnica.
Suely Menezes enfatizou a necessidade de olhar para o mercado, a sociedade e as tendências ao desenvolver os currículos escolares. Segundo ela, é preciso primeiro entender esses aspectos para então planejar a educação.
Uma das propostas discutidas pelos especialistas é a criação de itinerários formativos, nos quais o aluno poderia seguir uma mesma formação desde o ensino básico até os níveis superiores, de acordo com suas possibilidades, adaptando essa formação às demandas do mercado ao longo do percurso. O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Felipe Morgado, ressaltou que a flexibilidade na formação se torna indispensável diante das mudanças tecnológicas.
O chefe de gabinete da Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Gustavo Alves de Souza, destacou que a formação técnica também pode contribuir para a redução da vulnerabilidade social dos jovens. Atualmente, cerca de 14 milhões de jovens entre 16 e 24 anos estão inscritos no cadastro único da assistência social. No entanto, é necessária uma formação técnica dessas pessoas para que elas sejam contratadas.
O deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF), autor do debate, considera fundamental oferecer formação a esses jovens para quebrar o ciclo familiar de pobreza e desigualdade. Ele destacou que, apesar dos critérios estabelecidos para receber o Bolsa Família, a etapa de qualificação daqueles que dependem do programa nunca foi efetivamente concretizada.
Segundo Cleunice Matos Rehem, diretora-presidente da Brasiltec, pesquisas mostram que quando um jovem é formado e ingressa no mercado de trabalho, a renda familiar aumenta em cerca de 38%.
Portanto, é evidente a necessidade de aumentar a oferta de cursos técnicos, promover a interação entre escola e setor produtivo e proporcionar formação técnica àqueles que dependem de programas sociais. Garantir a qualificação dos jovens é essencial para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e reduzir a vulnerabilidade social, abrindo caminho para um futuro mais promissor.