
Análise: Mulheres ainda enfrentam desafios na política brasileira
Desde as eleições do ano 2000, 3.557 municípios brasileiros, o equivalente a 64% do total, não tiveram nenhuma prefeita eleita, apesar das mulheres serem maioria na população do país. Além disso, em 28 cidades não houve vereadora escolhida pelo voto direto e, em 24 delas, nem prefeitas nem vereadoras foram eleitas.
Essa lacuna de representatividade é mais acentuada em municípios com mais de 100 mil habitantes, onde 71% não elegeram prefeitas. Nos municípios com população inferior a 100 mil, o percentual é de 63%.
Entre as cidades sem eleitas estão 19 capitais, incluindo Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Manaus e Curitiba. Os estados com maior proporção de municípios sem prefeitas são Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e Acre.
Segundo cientistas políticos, a falta de representatividade nas prefeituras se deve à baixa presença de mulheres nas cúpulas dos partidos, o que dificulta sua indicação para cargos majoritários. Os líderes partidários tendem a não estimular candidaturas femininas, limitando assim a participação das mulheres na política.
Desafios enfrentados pelas mulheres na política
Para alterar esse cenário, são necessárias mudanças estruturais, como a implementação de paridade de gênero na distribuição de cargos no Executivo. Atualmente, as mulheres enfrentam obstáculos como a falta de experiência prévia em cargos eletivos, a dependência de trajetória e a falta de incentivo por parte dos partidos políticos.
No Legislativo municipal, embora a ausência completa de mulheres seja menor do que nas prefeituras, ainda há municípios onde nunca foram eleitas vereadoras. A falta de representatividade feminina no cenário político municipal é um reflexo da desigualdade de gênero que persiste na sociedade.
A análise da Folha considerou dados do TSE e revelou que, apesar dos avanços, as mulheres ainda enfrentam desafios significativos para sua participação efetiva na política brasileira. É fundamental promover a equidade de gênero e garantir igualdade de oportunidades para que as mulheres possam contribuir de forma plena no cenário político nacional.