Presidente do Banco Central defende atual condução da política monetária e espera melhorias com esforço fiscal do governo
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De acordo com o presidente do Banco Central, a economia brasileira está em uma “trajetória de pouso suave”, apresentando desempenho melhor do que muitos países. Ele explicou que o objetivo desse pouso suave é reduzir a inflação com o menor custo possível para a sociedade, levando em consideração a queda na inflação, o desemprego e o crédito.
Os dados do Banco Central mostram que a inflação caiu 8,7 pontos percentuais entre 2022 e 2023. Por outro lado, houve uma variação negativa de 0,3 ponto percentual na estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o mercado espera uma inflação de 4,86% neste ano e um crescimento do PIB de 2,92%.
No que diz respeito aos juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, conhecida como Selic, em 0,5 ponto percentual na última reunião. No entanto, mesmo com essa redução, a taxa nominal de juros continua sendo uma das mais altas do mundo, chegando a 12,75%. Campos Neto ressaltou que, se compararmos as taxas de juros nominais no Brasil em diversos períodos, desde 2019 até agora, perceberemos que esse foi o período com as menores taxas de juros da história recente.
Além do debate sobre a política monetária, o presidente do Banco Central foi convidado a explicar um erro no fluxo cambial que ocorreu entre outubro de 2021 e dezembro de 2022, no valor de aproximadamente R$ 14,5 bilhões. Campos Neto afirmou que houve uma falha operacional, já corrigida, e ressaltou que essa diferença representa apenas 0,4% de todo o mercado de câmbio. Ele informou ainda que o Tribunal de Contas da União já aprovou as estatísticas corrigidas.
Durante o debate, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou os comentários do Banco Central sobre temas fiscais, afirmando que isso representa uma interferência na política econômica. Campos Neto rebateu, argumentando que a questão fiscal é uma das dimensões do modelo econômico e que o Banco Central tem o direito de discuti-la.
Ao final do debate, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), uma das lideranças da oposição ao governo Lula, comentou que o Banco Central do Brasil possivelmente será eleito o melhor do mundo em 2023, repetindo o sucesso das premiações que receberam em 2020 e 2022 pela atuação na pandemia e pela gestão das reservas, respectivamente.
A audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara contou com a participação de diversos deputados, entre eles, Adriana Ventura (Novo-SP), Guilherme Boulos (Psol-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Essas foram as principais informações debatidas durante a audiência na Câmara dos Deputados com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que defendeu a atual condução da política monetária e demonstrou otimismo em relação à melhoria dos indicadores econômicos com um esforço fiscal do governo.