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Pré-prints na Ciência: A Revolução da Revisão Coletiva
No Laboratório de Ecologia Vegetal, Evolução e Síntese da UFRN, a bióloga Vanessa Staggemeier lidera um grupo de pesquisa inovador. Com laptops abertos, embalagens de pizza e a bebê Valentina no colo, a cientista discute artigos científicos em reuniões de “preprint clubs”.
Os preprints são estudos publicados sem revisão por pares, e o Instituto Serrapilheira propôs um experimento para incentivar sua discussão. Substituindo os tradicionais “journal clubs”, o instituto promovia encontros para debater esses estudos emergentes, visando uma cultura de ciência aberta e colaborativa.
O grupo de Staggemeier encontrou um possível erro em um preprint sobre biodiversidade, destacando a importância da revisão coletiva. Mesmo após o artigo passar por revisão formal e ser publicado, o grupo registrou suas observações, demonstrando os benefícios da discussão aberta e crítica.
Os preprints são uma forma acessível e rápida de compartilhar pesquisas, essenciais na pandemia de Covid-19. Apesar da revisão por pares ser considerada o filtro da “boa ciência”, estudos mostram que ela nem sempre detecta problemas significativos, evidenciando a importância da revisão coletiva.
Vanessa Staggemeier, ao publicar seu primeiro preprint, incentivou a prática entre seus colegas. Mesmo que a adesão ainda seja parcial, a experiência dos “preprint clubs” foi bem recebida, com participantes planejando futuras edições e comentários públicos sobre trabalhos científicos.
A ciência aberta e colaborativa é o futuro da pesquisa acadêmica. A revolução dos pré-prints está transformando a maneira como a ciência é feita, promovendo a transparência, o debate e a melhoria contínua dos estudos.
Por Clarice Cudischevitch e Kleber Neves