Obituário: Notável jornalista e engenheiro, cuja visão vanguardista o destacou como um homem à frente de seu tempo.
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Mesmo com a ajuda de um tio, Moysés teve que trabalhar desde cedo para colaborar com o sustento da família e ajudar aqueles que precisavam. Ele se formou em engenharia civil em 1954 e abriu seu próprio escritório no bairro do Bom Retiro, onde morava. Foi um dos primeiros engenheiros do Brasil a possuir um computador pessoal, um Radio Shack TRS-80, trazido dos Estados Unidos por um piloto da Varig. Moysés desenvolveu um programa para calcular a quantidade de tijolos necessários em cada construção, evitando desperdícios e tornando as obras mais econômicas. Diversos prédios, casas e até um shopping center foram construídos com a utilização desse programa.
Ao longo dos anos, Moysés sempre esteve em sintonia com a tecnologia e as novidades. Ele era o primeiro da família a descobrir aplicativos interessantes e não hesitava em ensinar os outros a usá-los. Graças aos aplicativos de localização, ele sabia onde cada membro de sua família estava, mesmo que estivessem em outro país. Ele achava graça quando recebia uma notificação às 5h da manhã informando que uma de suas netas havia acabado de chegar em casa após uma festa animada.
Muito antes dos aplicativos de localização e do Waze, Moysés adorava se perder pelas ruas de São Paulo para depois se encontrar. Ele foi um homem muito viajado, conhecendo todos os continentes. Quando começou a ter dificuldades para caminhar, ele passou a explorar o mundo através do Google Earth e das notícias que lia.
Sua curiosidade nunca o abandonou. Até mesmo aprendeu a jogar Pokémon Go para não ficar por fora da moda. Com sua bisneta de nove anos, ele aprendeu a editar vídeos em seu tablet, mostrando que nunca era tarde para aprender algo novo.
Moysés era uma unanimidade entre todos que o conheceram. Ele era uma pessoa amável, com um senso de humor excelente, um sorriso único e uma risada contagiante. Mesmo com as dificuldades trazidas pela passagem do tempo, ele reclamava pouco e lidava de forma serena com suas limitações. Moysés nunca cansou de ler e aprender coisas novas. Recentemente, ele até fez um curso de Python, uma linguagem de programação de alto nível.
Em sua última noite de vida, na UTI do hospital, Moysés pediu para brincar com seu celular, jogando uma partida de Termo. Ele adormeceu e não acordou mais. Moysés nos deixou aos 91 anos, no dia 5 de agosto. Ele deixa sua esposa, Rosa Broner Worcman, seus filhos Dina Beatriz, Alberto e Nira Worcman (também jornalista desta Folha), seus netos Daniel, Iuri, Julia, Dalia e Gael, e seus bisnetos Gabriela, Rafael e Michel, além de seu irmão Israel.
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