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Concegamento de Óvulos: Uma Tendência em Crescimento
O congelamento de óvulos tem se tornado uma prática cada vez mais comum entre as mulheres, principalmente antes dos 35 anos. Especialistas em reprodução humana afirmam que esse é o prazo ideal para obter sucesso com o método, visto que a reserva ovariana diminui significativamente após essa idade, reduzindo as chances de sucesso reprodutivo.
De acordo com o ginecologista Pedro Augusto Monteleone, membro da Febrasgo, embora não seja impossível obter bons resultados após os 35 anos, a dificuldade aumenta. Ele ressalta que muitas mulheres têm buscado o congelamento de óvulos, mesmo que tardiamente, por volta dos 37 anos.
Um estudo realizado em parceria entre a farmacêutica Oregon e o Instituto Ipsos mostra que a média de idade das mulheres que optam por congelar seus óvulos é de 38 anos. No entanto, dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões da Anvisa revelam um aumento significativo no número de ciclos anuais para congelamento de óvulos, com um crescimento de 49% entre mulheres abaixo dos 35 anos e 40% acima dessa faixa etária no Brasil.
A ginecologista Paula Marin, do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da USP, ressalta que muitas mulheres ainda demoram a buscar a técnica devido à sua relativa novidade. Ela destaca a importância de ampliar o conhecimento sobre os horizontes reprodutivos, proporcionando mais opções e autonomia para as mulheres.
O congelamento de óvulos, inicialmente desenvolvido para auxiliar pacientes com câncer, ganhou mais visibilidade e aceitação social ao longo dos anos. A técnica se tornou uma ferramenta essencial para a autonomia reprodutiva da mulher, sendo regulamentada no Brasil pelo CFM em 2017.
Artistas e empresas têm contribuído para popularizar o congelamento de óvulos, tornando-o mais conhecido e acessível. A pandemia de Covid-19 também impulsionou a procura pela técnica, com muitas pessoas repensando a maternidade durante o isolamento social.
Apesar dos avanços, o principal desafio atualmente é tornar o procedimento mais acessível à população em geral. O alto custo envolvido no congelamento de óvulos e na fertilização in vitro ainda limita o acesso a muitas mulheres. Especialistas acreditam que é necessário um esforço conjunto para reduzir os custos e garantir que mais mulheres tenham acesso a essa importante opção reprodutiva.
Em suma, o congelamento de óvulos tem se consolidado como uma alternativa viável para mulheres que desejam postergar a maternidade ou preservar sua fertilidade, mas é fundamental que medidas sejam tomadas para democratizar e tornar o procedimento mais acessível a todas as camadas da sociedade.