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Reforma tributária enfrenta resistência de setores econômicos e desafia equilíbrio na carga de impostos




Reforma Tributária: Especialistas debatem propostas em audiência pública

28/05/2024 – 21:05

Mário Agra / Câmara dos Deputados

Especialistas também sugeriram compensações para setores com alíquotas mais altas

Na tarde de hoje, durante uma audiência pública do grupo de trabalho responsável por analisar a proposta de regulamentação da reforma tributária (PLP 68/24), representantes de diferentes setores econômicos apresentaram suas demandas específicas aos deputados presentes. Os participantes destacaram a importância de manter a coerência com a emenda constitucional aprovada no ano anterior, que serve como base para o projeto em análise.

O representante do setor de seguros e saúde complementar, Alexandre Leal, argumentou que a reforma aborda a taxação de bens e serviços, e expressou sua opinião de que as receitas financeiras não deveriam ser tributadas, por não se encaixarem em nenhuma das categorias.

O consultor tributário da Confederação Nacional do Comércio e Turismo (CNC) Gilberto Alvarenga enfatizou a importância da não cumulatividade dos tributos como ponto central da reforma. Segundo Alvarenga, a não cumulatividade precisa ser ampla, e qualquer limitação deve ser vista como exceção.

Fernando Garcia, consultor tributário da mesma confederação, alertou que a reforma resultará em um aumento significativo de impostos para os setores comerciais e de serviços. Garcia apontou que o comércio terá um aumento de 18% na carga tributária, enquanto os serviços, em geral, terão um aumento de 90%.

Como forma de compensar o impacto desse aumento de impostos, Fernando Garcia defendeu a redução da contribuição previdenciária para setores como energia, saneamento, gás e serviços de informação. Ele também sugeriu a implementação de alíquotas especiais para o setor de serviços.

O representante da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Sebastião Garcia, também expressou preocupação com o aumento de impostos para o setor educacional, apontando que as escolas pagam atualmente 8,65% de tributos e que esse valor pode aumentar com o novo sistema.

O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) enfatizou o desafio do grupo de trabalho em atender às demandas dos setores produtivos sem aumentar a carga tributária. Passarinho defendeu a clareza do texto final da reforma para evitar interpretações conflitantes e complicadas.

Em suma, a audiência pública foi marcada por debates intensos sobre as propostas de reforma tributária, com especialistas e representantes de diversos setores expressando suas preocupações e sugestões para o projeto em análise.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub


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