Em pronunciamento recente, o Ministro da Defesa solicita informações sobre encontros entre militares e hackers.

Segundo Delgatti, durante seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, o objetivo da reunião com os servidores da Defesa era elaborar um relatório sobre a segurança das urnas eletrônicas e obter informações sobre o código-fonte do equipamento. O hacker afirmou que orientou os militares responsáveis pela produção do documento, entregue em novembro de 2022.
No entanto, após as declarações de Delgatti na CPI, o ministro Múcio enviou um ofício à PF solicitando informações sobre o caso. No entanto, foi informado de que o processo está em segredo de Justiça e que apenas o ministro Alexandre de Moraes poderia fornecer essas informações. Diante disso, Múcio enviou seu pedido ao ministro Moraes e aguarda uma resposta.
Delgatti revelou também que esteve cinco vezes no Ministério da Defesa, entrando pela porta dos fundos do prédio, e que se reuniu com o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e com servidores ligados à área de Tecnologia da Informação. Ele ainda afirmou que os técnicos do Ministério repassavam a ele as informações colhidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que a análise do código-fonte da urna eletrônica só poderia ser feita lá. O hacker garantiu que o relatório das Forças Armadas foi totalmente orientado por ele.
Diante dessas revelações, o ministro Múcio determinou a análise das câmeras de segurança do prédio-sede do Ministério da Defesa, mas não foram encontrados registros de entrada de Delgatti ou de suas reuniões com militares. Múcio afirmou que não pretende tornar todos no Ministério suspeitos e que abertura de procedimentos de investigação internos só acontecerá quando os nomes dos envolvidos forem oficialmente divulgados.
O ministro também tranquilizou a população, afirmando que o ambiente nos quartéis é de absoluta serenidade e que as Forças Armadas estão dispostas a colaborar com as investigações, separando os culpados dos inocentes. Para Múcio, é como em um time de futebol, onde um jogador indisciplinado é expulso e o jogo continua.
Por fim, a reunião entre Múcio e Andrei Rodrigues teve como objetivo formalizar um convite ao diretor-geral da PF para participar do evento de celebração do Dia do Soldado, que ocorrerá em breve. Múcio destacou a importância da presença de Rodrigues e de todo o governo nesse evento, para mostrar à sociedade que todos estão unidos em prol da defesa nacional.